OS MILAGRES DE ELIAS E ELISEU
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Elias, o tesbita, de Tesbi de Galaad, estava dentro de uma gruta na montanha, o monte Ho-reb, também chamada a montanha de Deus. Fugia do rei Acab e da rainha Jezabel, que o buscavam por todo Israel para acabar com sua vida. Estava desesperado. Havia caminhado quarenta dias e quarenta noites, depois de se alimentar com a comida — um pão assado so-bre pedras quentes e uma jarra de água — que um anjo lhe deixara ao lado de sua cabeça, enquanto descansava e dormia, debaixo de uma árvore. Depois de tocá-lo, disse-lhe o anjo: “Levante-se e coma.”. Assim revigorado, chegou à gruta, e agora estava à espera de uma nova mensagem que somente ele, como o grande profeta de Israel, receberia de Deus. Chegara até ali cheio de esperança, em busca de um novo encontro com Javé; mas antes, enquanto dormia debaixo daquela árvore, não queria mais viver. Estava cansado, pensava nas dificuldades da sua missão de profeta para levar ao povo de Israel a importância de seguir somente ao Senhor, o Deus verdadeiro. Disse ele:
“Chega Senhor! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor que meus pais”.
Elias passou a noite na caverna esperando ansiosamente uma palavra poderosa e de ânimo do Senhor. Enquanto esperava, pensava nas aflições da sua vida errante, de profeta perseguido por levar a mensagem de Deus aos israelitas, muitos sendo cativados pelo falso deus Baal, que a rainha Jezabel, filha de rei fenício, adorava. O rei de Israel, Acab, ao desposá-la, adotou os costumes e a religião dos fenícios com seu deus Baal, considerado senhor da fertilidade e da vida, e tinha por conta quatrocentos e cinquenta profetas que comiam à mesa com ele e Jezabel. Mas em vez da vida e da fertilidade, era a seca e a morte que dominavam os campos férteis da Cananéia prometida. Elias era o culpado, pensavam. Foi ele que pediu a Deus para mandar aquela seca, para mostrar aos filhos de Abraão que Deus é o verdadeiro Senhor. De repente, a palavra chegou:
“Elias, que fazes aqui? Elias responde: “O zelo pelo Deus dos Exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram sua aliança, derrubaram seus altares e mataram seus profetas. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também.” A voz continuou: “Saia e fique no alto da montanha, diante de Deus, pois Deus vai passar”. Então um furacão violento passa à frente de Elias, rachando as montanhas e quebrando as rochas. Mas Deus não estava no furacão. Logo veio um grande terremoto, Javé porém não estava no terremoto. Depois veio um fogo poderoso que queimava tudo ao redor, mas Javé não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma brisa suave.” “Ouvindo-a, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou na entrada da gruta. Ouviu então uma voz que lhe dizia: O que é que você está fazendo aqui, Elias? E Elias respondeu: O zelo do Senhor dos Exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram sua aliança, derrubaram seus altares e mataram seus profetas a fio de espada. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também.” E Deus disse a Elias: “Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de
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Damasco. Unja Hazael como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unja também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.”
A voz divina continuou falando aos ouvidos e ao coração de Elias, mas ele já estava contente, realizado. Agora sabia. Sua missão de profeta estava quase cumprida. Em pouco tempo, não seria mais necessário correr pelos desertos como um fugitivo, passando fome e sede, vestido com a pele dos animais silvestres, para pregar a palavra do Senhor e apontar as injustiças dos reis e poderosos, a causa das perseguições desde o início, quando começou sua caminhada de profeta em Israel. Agora, pensava ele, era agir e cumprir as ordens que ouviu do seu Senhor, Deus. Por último, encontrar Eliseu e prepará-lo para a missão que ele em breve deixava. Tinha certeza que Eliseu continuaria sua obra tão bem quanto ele, com o mesmo zelo por seu Senhor, porque assim Deus queria. Ia contente, passando pelo mesmo caminho de onde veio, em direção ao deserto de Damasco. Ia recordando sua vida a serviço do Senhor, seu Deus, a fantástica energia criadora que havia recebido Dele e que lhe possibilitava ter um controle total sobre a matéria e os fenômenos deste mundo. Como nestes últimos dias, a chegada das chuvas! Foi ele, Elias, que com sua fé, pediu a Deus e fez chover! Depois de três anos de seca, como havia prometido aos infiéis de Israel, e ao rei Acab, para saberem que somente o Senhor é o verdadeiro Deus. Dissera ele três anos antes ao rei:
“Pela vida do Deus de Israel, a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não ser quando eu mandar.”
Teve de fugir, se não quisesse ser morto pelos soldados do rei e da rainha, que conheciam os poderes de Elias e lhe tinham ódio, porque Elias lhes mostrava seus pecados, suas injustiças contra os humildes do reino. Recordava outras passagens da sua vida. Muito embora o sofrimento causado pela seca foi destrutivo em todo Israel, ele achava que tinha alcançado os objetivos, que tinha sido necessário. Mesmo ele, não tendo onde recostar a cabeça, ficou à mercê do tempo, somente com a fé em seu Deus verdadeiro. Foi viver junto à natureza como lhe alertara Deus, o seu Senhor:
“Saia daqui, dirija-se para o oriente e esconda-se junto ao córrego Carit, que fica a leste do Jordão. Você poderá beber água do córrego. Eu ordenei aos corvos que levem comida para você.” “Então Elias partiu e fez como seu Senhor havia mandado: foi morar junto ao córrego Carit, a leste do Jordão, e os corvos lhe levavam pão de manhã e carne à tarde. E ele bebia água do córrego.”
Agora que a chuva chegou como ele mandara, mesmo assim Acab e Jezabel não lhe perdoavam. Afinal, ele, como profeta de Deus, não aceitava os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal alimentados por ela com apoio do rei. Elias tinha, pensava ele, que desmascarar tudo iso; para ele era tudo uma farsa para enganar e desencaminhar o seu povo, o povo de Israel, filhos de Abraão.Elias continua sua caminhada, em direção ao deserto de Damasco, recordando sua missão, seu passado de profeta. Muitas ciladas, muitos perigos ele conseguira ultrapassar
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levando a mensagem de seu Deus, seu
Senhor. Logo mais, pensava ele, passaria
o bastão para Eliseu. Mas antes devia prepará-lo, ensinar-lhe os segredos da
vidência e da sabedoria mística; a sua e a dos antigos profetas, que ele
aprendera com muito esforço e dedicação. Voltou a se lembrar dos motivos, da
razão do rei Acab e a rainha Jezabel lhe odiar, agora com muito mais
intensidade; lhe procurando pelos lugares mais inusitados, pelas fontes, córregos
e rios. Depois que ele voltou de Sarepta, na região da Sidônia, na Fenícia,
onde viveu um bom tempo, fugindo da perseguição dos seus inimigos enquanto
durava a seca, por acaso se encontrou com Abdias, chefe do palácio do rei.
Disse a ele:
— “Vá dizer ao seu patrão que Elias está
aqui.” Abdias respondeu: —“Que pecado eu cometi para que o senhor me entregue
nas mãos de Acab, para ele me matar? Pela vida do Senhor, o seu Deus; não há
nação, nem reino, aonde meu patrão não tenha mandado procurar pelo senhor. E
quando diziam: Elias está aqui, meu patrão fazia o reino e a nação jurarem que
não haviam achado o senhor. E agora o senhor me manda dizer ao meu patrão que
Elias está aqui? Quando eu sair daqui, o espírito de Deus transportará o senhor
não sei para onde. Eu irei informar Acab, e ele, não o encontrando, me matará.
E seu servo teme a Deus desde a juventude. Por acaso, não contaram ao senhor o
que fiz quando Jezabel estava matando os profetas de Deus? Escondi numa gruta
cem profetas de Deus, em grupos de cinqüenta, e providenciei pão e água para
eles. E agora o senhor me manda dizer ao meu patrão que Elias está aqui?! Ele
vai me matar!” Elias lhe disse que não tivesse medo e completou: “Pela vida do
Deus dos exércitos, a quem sirvo: hoje mesmo eu vou me apresentar diante de
Acab.” Então Abdias foi encontrar-se com o rei e deu o recado do profeta.
Acab saiu ao encontro de Elias com
a raiva característica dos poderosos e, ao vê-lo, foi logo dizendo: “Você
é a ruína de Israel!” E Elias, com sua
verdade cortante de um homem temente a Deus, respondeu: “Não sou eu que
estou arruinando Israel. Pelo contrário, é você e sua família, porque vocês
abandonaram Deus e seguiram os ídolos. Pois bem, mande que todo Israel se reúna
comigo no monte Carmelo, junto com os quatrocentos e cinquenta profetas de
Baal, que comem à mesa de Jezabel.”
Elias caminhava pelo deserto de
Damasco, olhando a paisagem da estrada que nunca termina. Será necessário andar
mais quarenta dias e quarenta noites como na vinda? pensa ele, embora sem se preocupar com o tempo que
passa. Afinal, sua vida foi andar pelas terras de Israel como um vagamundo,
somente observando as ordens de seu Senhor, o Deus dos exércitos. Enquanto sobe
uma alta colina e olha o vale deserto, volta a lembrar-se de sua conversa com o
rei Acab e não deixa de dar um leve sorriso, recordando também de sua coragem e
sua fé em Deus,
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o Deus de Abraão. Sorriso de
contentamento, porque Acab convocou todos os israelitas e os profetas de Baal
no monte Carmelo. Chegou o momento:
“Então
Elias se aproximou do povo e disse: — Até quando vocês vão mancar com as duas
pernas? Se o Senhor é o Deus verdadeiro, sigam o Senhor. Se é Baal, sigam a
Baal.”
Viu Elias que o povo não respondia.
Era por indecisão ou porque já não sabiam mais a quem seguir? Ou era somente a confusão
mental de um povo levado pelas palavras e a promoção dos costumes estrangeiros
trazidos a Israel pelo rei Acab e a rainha Jezabel? Por que insistiam com o
povo na adoração dos ídolos que trouxeram da Fenícia? Não! Era uma afronta ao
Deus de Abraão e Elias não aceitava isso.
“Então Elias continuou: Fiquei sozinho como
profeta de Deus, enquanto os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta.
Tragam aqui dois bezerros: Vocês vão escolher um. Depois de cortá-lo em
pedaços, o coloquem sobre a lenha, mas não acendam o fogo. Eu vou preparar o
outro bezerro, o colocarei sobre a lenha e também não acenderei o fogo. Vocês
invocarão o deus de vocês e eu invocarei a Deus. O Deus que responder, enviando
fogo, é o Deus verdadeiro. Todo o povo concordou: A proposta é boa.”
“Então
Elias disse aos profetas de Baal: Escolham um bezerro e preparem primeiro, pois
vocês são maioria. Invoquem o nome do deus de vocês, mas não acendam o fogo.
Então eles pegaram o bezerro, o prepararam e ficaram invocando a Baal, desde o
amanhecer até o meio-dia, e suplicando: Baal, responde-nos. Mas não se ouvia
nenhuma voz, nenhuma resposta, apesar de dançarem, dobrando o joelho ao redor
do altar que tinham feito. Pelo meio-dia, Elias começou a zombar deles: Gritem
mais alto; Baal é deus, mas pode ser que esteja ocupado. Quem sabe teve que se
ausentar. Ou então, viajando. Talvez esteja dormindo e seja preciso acordá-lo.
Então eles gritavam mais alto e, conforme o costume deles, fizeram talhos no
próprio corpo com espadas e lanças, até escorrer sangue. Depois do meio-dia,
entraram em transe até a hora da apresentação das ofertas. Mas não se ouvia
nenhuma voz, nenhuma palavra, nenhuma resposta.”
Do alto das dunas daquela colina,
agora parado olhando ao redor, Elias observava o deserto que dominava a
imensidão, que chegava no horizonte, até onde a vista alcança; até lá muito
longe, com o céu iluminado e limpo como todo firmamento no tempo de seca. Recordava!
O pensamento intenso e forte, fixo naquele momento que nunca esqueceria,
naquele momento luminoso do milagre onde seu Deus, o Deus de Abraão, mostraria
ao povo Sua grandeza. Para todos aqueles que, tendo fé como ele, Elias, está este
Deus sempre presente e não abandona nunca quando O chamam. Por isso Elias
gostava de ser Seu servo, servo de um Senhor amantíssimo que não escraviza, mas
que é a representação da liberdade interior e exterior. Por isso também, Elias
gostava de recordar seus milagres, milagres cujas ações ele sabia que não eram
dele, mas de seu Senhor, Aquele que habita dentro e fora de todo ser humano. E
o pensamento de Elias volta ao passado ainda recente, sem querer esquecer a
grandeza e a alegria daquele momento:
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“Então
Elias disse a todo o povo: Venham aqui. Todos se aproximaram, e Elias
reconstruiu o altar de Deus, que estava demolido. Pegou doze pedras, conforme o
número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus tinha dito: Você se
chamará Israel. E com as pedras construiu um altar em honra de Deus. Fez em
volta do altar um canal capaz de conter duas arrobas de sementes. Empilhou a
lenha, cortou o bezerro em pedaços e o colocou sobre a lenha. Depois disse: Encham
quatro baldes de água e derramem sobre a vítima e sobre a lenha. Eles assim
fizeram. Então Elias disse: Façam tudo outra vez. E eles tornaram a fazer.
Elias voltou a dizer: Façam isso pela terceira vez. Eles assim fizeram. A água
escorreu ao redor do altar, e até o canal ficou cheio de água.
Chegando
a hora da oferta, o profeta Elias se aproximou e rezou: Senhor, Deus de Abraão,
de Isaac e de Israel, todos saibam hoje que tu és Deus em Israel, que eu sou
teu servo e que foi por tua ordem que eu fiz todas essas coisas. Responde-me,
para que este povo reconheça que tu, Senhor, és o Deus verdadeiro, e que és tu
que convertes o coração deles. Então Deus mandou um raio que consumiu a vítima,
a lenha, as pedras e as cinzas, e secou a água que estava no canal. O povo viu
tudo isso e prostrou-se no chão, exclamando: O Senhor é o Deus verdadeiro! O
Senhor é o Deus verdadeiro! Então Elias disse a eles: Agarrem os profetas de
Baal. Não deixem escapar nenhum. E eles os agarraram. Elias fez os profetas de
Baal descer até o riacho Quison, e aí os degolou.”
Novamente, Elias para de caminhar;
relembra sua vida, sua história. Pensa no seu enorme zelo pelo amor e a justiça
de seu Senhor, seu Deus, enquanto se pergunta se a matança por suas próprias
mãos, se a degola dos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal não teria sido
também uma vingança contra a rainha Jezabel e o rei Acab, adoradores de ídolos,
do deus Baal. Mas de novo pensava que seu zelo, sua dedicação ardente, que às
vezes chegava às raias do ciúme, não teria influenciado tal atitude. Entretanto,
não remoia pensamentos odiosos; só sentia que, como ser humano e profeta de
Israel, servo e filho fiel, deveria cumprir as ordens de seu Senhor, Deus, de
acordo com a Sua lei. E jamais pensara conscientemente, moralmente, em
ultrapassar esta lei que sempre procurara cumprir e também ensinar. Também
achava que dentro dos limites humanos, onde a alma e a matéria se integram,
tudo pode acontecer; só sua fé não podia falhar. E talvez por isso mesmo, pela
fé, que é a certeza de realidades que não se podem ver, é que ele assim agia.
Pensava, sem vacilar, que as ordens de seu Senhor estavam em primeiro lugar. Porque
— continuava pensando — como poderia ele sem tal fé em seu amo, em seu Deus, fazer
os milagres e as maravilhas que fazia? Como o milagre da chuva depois da seca
de três anos! Recordava contente enquanto continuava sua caminhada pelo deserto
de Damasco. Agora queria se lembrar somente da chuva... Daquela fantástica chuva!
“Elias
disse a Acab: Vá comer e beber, pois já se ouve o barulho da chuva. Enquanto
Acab foi comer e beber, Elias subiu ao topo do monte Carmelo e se encurvou até
o chão, colocando o rosto entre os joelhos. Depois disse ao seu servo: Suba e
olhe para o lado do mar. O servo subiu, olhou e disse: Não se vê nada. Elias
disse: Volte até sete vezes. Na sétima o servo disse: Uma
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nuvenzinha,
do tamanho da mão de uma pessoa, vem subindo do mar. Então Elias mandou: Vá
dizer a Acab que atrele os cavalos no carro e desça, para que a chuva não o
detenha. Num instan- te o céu ficou
escuro, com nuvens trazidas pelo vento, e caiu uma chuva pesada. Acab subiu no
seu carro e foi para Jezrael. Elias, com a força de Javé, amarrou o cinto e foi
correndo na frente de Acab até a entrada de Jezrael.”
Elias olha o céu ainda limpo, azul,
e sem parar, de novo agradece a Deus, seu Senhor. Deus nunca falhou em seus
pedidos, sempre presente, onipresente. Aquela chuva, depois de três anos de
seca, quando as nascentes haviam secado, os córregos e rios deixaram de correr,
era uma grande benção. Só restara a desolação, toda a terra parecia que se
tornaria também como aquele mesmo deserto por onde agora caminhava, o deserto
de Damasco. Depois desta primeira chuva, tudo voltaria ao normal; as nascentes
voltariam a brotar, os córregos, riachos e rios voltariam a correr como nas
passadas águas, as outras estações chuvosas. As campinas de Israel voltariam a
florir. Com certeza, só não mudaria o ódio do rei Acab e da rainha Jezabel por
Elias. Principalmente depois que ele degolou os quatrocentos e cinquenta
profetas de Baal. Mas tudo estava escrito, seu passado e seu futuro, futuro que
ele previa com tanta certeza quanto seu passado, com sua vidência de um santo
profeta. A lei do seu Amo e Senhor não falha, Deus é o Senhor do céu e da
terra. Toda maldade será condenada de acordo com seu peso, como todo bem será
gratificado, conforme a lei universal do bem e do mal, da ação e reação ou da
lei das compensações. Todos os segredos são revelados. Desde o começo do mundo
foi assim; desde Abel e Caim. Ele, Elias, sabia tudo e esperava a justiça
divina.
“Acabe
contou a Jezabel o que Elias tinha feito e como tinha matado a fio de espada
todos os profetas. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, com este recado:
Que os deuses me castiguem se amanhã, a esta hora, eu não tiver feito com você
o mesmo que você fez com os profetas. Elias ficou com medo, levantou-se e partiu
para se salvar. Chegou a Bersabéia, em Judá, e aí deixou o seu servo. E
continuou a caminhar mais um dia pelo deserto. Por fim, sentou-se debaixo de uma árvore e desejou a morte,
dizendo: Chega, Senhor! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor que meus
pais.”
Fugia da ameaça de Jezabel e por isso agora estava
aqui, na estrada do deserto de Damasco. Somente depois de dormir debaixo
daquela árvore, ser alimentado pelo anjo e receber a sustentação necessária
para caminhar quarenta dias e quarenta noites até o monte Horeb, a montanha de
Deus, Elias teve paz. Ali, na gruta daquela montanha, passou uma noite à espera
da mensagem de Deus, que lhe mandou de volta pelo mesmo caminho por onde fora,
lhe dizendo:
“Pegue o caminho
de volta, em direção ao deserto de Damasco.” Lhe mandou também unjir Hazael
como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unjir também
Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.”
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Por isso agora estava aqui, andando no mesmo caminho
por onde veio, orando e meditando sobre sua sagrada missão. Elias pensa em sua
sagrada missão de profeta, mas se recorda também da sua obrigação de um cidadão
consciente que se preocupa com a proteção de seu povo,
política,
espiritual e socialmente. A política do governo do rei Acab e da rainha Jezabel
é injusta, corrupta, oprime a população, principalmente os pobres e humildes. Elias
deve denunciar, ser um verdadeiro
profeta, mensageiro do Senhor, seu Deus. Sabe que por isso é perseguido. Não é
perseguido somente por ser profeta e desmascarar os falsos deuses e aqueles que
os servem. É perseguido também por desejar uma sociedade justa e fraterna para
seu povo. Deve denunciar a opressão dos que estão desencaminhando seu povo:
social, espiritual e culturalmente. Eles, os poderosos, oferecem muitos
favores, como ouro, dinheiro e escravos para as elites e depois impõem falsos
deuses e ídolos falsos para o povo adorar e mudar seus costumes e tradições dos
antepassados de Abraão, de Isac e Jacó. Além de confuso, o povo não tem a
oportunidade de escolha, entre o Deus que dá a vida, como o Senhor, ou os
deuses que destroem as mentes dos israelitas. Além de Baal, outros deuses da
região de Israel também enganaram o povo. No passado, sempre trazidos pelos
estrangeiros ou nações que dominaram Israel e impuseram novas religiões e novos
deuses, houve ameaças à palavra de Deus enviada pelos profetas. Alguns deuses
primitivos e falsas religiões chegavam a exigir holocaustos dos filhos de
Israel. Muitos israelitas eram enganados.
O grande sábio e profeta Elias não podia aceitar as
injustiças calado nem a destruição cultural de Israel. Como profeta de Deus
devia denunciar o que não é moral nem socialmente justo para seu povo. Além das
injustiças que lesa o direito do próximo, principalmente dos pobres e humildes.
Como a vinha de Nabot de Jezrael, que Acab queria para si e que por meios
abomináveis a adquiriu, em conluio com a rainha e os poderosos da cidade,
concidadãos de Nabot. Como ele não queria vender, o rei Acab fez cara feia, não
dormia nem comia. Porque Nabot lhe disse:
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Quando Acab soube que Nabot estava
morto, levantou-se para descer até a vinha de Nabot de Jezrael, a fim de tomar
posse dela. Então Deus dirigiu a palavra a Elias, o tesbita: Levante-se e
desça ao encontro de Acab, rei de
Israel, que está em Samaria. Ele está na vinha de Nabot, aonde
foi para tomar posse. Diga-lhe: Assim
diz o Senhor: Você matou, e ainda por cima está roubando? Por isso, assim diz Deus:
No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o
seu. Acab disse a Elias: Então, meu inimigo, você me surpreendeu? Elias
respondeu: Sim, eu surpreendi você. Pois você se deixou subornar para fazer o
que Deus reprova. Por isso, farei cair sobre você a desgraça. Vou deixá-lo sem
descendência, vou exterminar todo israelita da sua família, escravo ou livre
que urina na parede. Farei com sua casa
como fiz com a casa de Jeroboão, filho de Nabat, e com a casa de Baasa, filho
de Aías, porque você provocou a minha ira e fez Israel pecar. Deus também
pronunciou uma sentença contra Jezabel: Os cães devorarão Jezabel no campo de
Jezrael. A pessoa da família de Acab que morrer na cidade será devorada pelos
cães, e quem morrer no campo será comido pelas aves do céu.”
Elias estava sempre atento às
injustiças sociais. Sua consciência afiada, limpa, verdadeiramente
espiritualizada, fazia dele um intermediário entre Deus, os opressores e suas
vítimas. Mostrava aos carrascos da população, aos poderosos e corruptos suas
ações abomináveis, e lhes falava da lei das compensações: Quem com ferro fere
com ferro será ferido; quem faz o bem receberá o bem, é a lei da ação e reação
que funciona na natureza e na vida de todo ser humano. Por isso, Elias insiste em
levar ao rei Acab a mensagem de seu Deus, o Senhor, que o condenava pelo roubo
da vinha de Nabot de Jezrael. O menor pedaço de terra em Israel era sinal de
apego à pátria, à cultura e costumes do povo do lugar. Os ricos e poderosos
extorquiam os pobres facilmente, fazendo deles as vítimas que não tinham a quem
recorrer se não aos profetas que, como Elias, procuravam fazer cumprir a
justiça moral, cultural e espiritual, a consciência justa que todo cidadão
deveria ter. Elias tinha vidência e dons espirituais que o faziam não somente
diferente; também possuía um poder e uma força moral de grande relevância, que
levava respeito e quase medo aos governantes e poderosos. Sua intransigência em
relação à corrupção, à injustiça, à opressão e à manipulação política e
religiosa para com seu povo, o levava a enfrentar os mais graves perigos,
embora tivesse como único instrumento de defesa sua coragem e a fé em seu Amo e
Senhor, Deus.
A fé em Deus era seus instrumentos, suas ferramentas, para viver aquela vida
perigosa. Porque os verdadeiros profetas que não se rendiam ao poder de reis ou
de poderosos. A pobreza, o desapego aos bens materiais, era a essência da
instrução das coisas de Deus, cumpridas pelos profetas. O voto de pobreza
assim, era parte da condição do servo para servir ao Deus verdadeiro, que levava
esperança aos pobres e humildes. Ele, Elias, era naquele momento em todo o
reino de Israel, o único profeta cuja palavra era ouvida, respeitada e temida;
porque vinha do conhecimento da lei mosaica e da palavra do Senhor, o
verdadeiro Deus. Palavra verdadeira, que transformava realidades invisíveis em
visíveis, que curava doenças, que ressuscitava mortos, que também predizia
secas, ou fartura e riqueza, como também a vida ou a morte.
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Enquanto caminhava e terminava sua
travessia pelo deserto de Damasco, Elias lembrava novamente as palavras de Deus:
“Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de Damasco. Unja Hazael como
rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unja também Eliseu,
filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.”
Talvez já soubesse como seriam seus últimos
dias; que não tardariam a chegar. Com a entrega da responsabilidade de profeta
a Eliseu, depois de lhe ensinar os caminhos e a sabedoria para servir a Deus,
pouco mais restava de sua missão em Israel. Mas antes, Elias ainda veria a
morte de Acab e profetizaria também a morte de Ocozias, o filho e herdeiro do
trono de Israel. Foi assim:
“Passaram-se três anos sem que houvesse
guerra entre Aram e Israel. No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, foi visitar o
rei de Israel (Acab). Este disse a seus próprios ministros: Vocês sabem que
Ramot de Galaad nos pertence, e nós não fazemos nada para recuperá-la das mãos
do rei de Aram. Então o rei de Israel disse a Josafá: Você quer vir comigo para
guerrear contra Ramot de Galaad? Josafá respondeu ao rei de Israel: Você e eu,
seu exército e o meu, sua cavalaria e a minha, somos todos um só. E
acrescentou: Consulte antes o oráculo de Deus. O rei reuniu os profetas, cerca
de quatrocentos homens, e lhes perguntou: Devo atacar Ramot de Galaad ou não?
Eles responderam: Pode ir, porque Javé a entregará nas mãos do rei. Então
Josafá perguntou: Por acaso não existe nenhum outro profeta de Deus, para que
possamos consultá-lo? O rei de Israel respondeu a Josafá: Existe ainda um: é
Miquéias, filho de Jemla, através do qual podemos consultar a Deus. Mas eu não
gosto dele, porque nunca me profetiza coisas boas, mas só desgraças. Josafá
disse: O rei não deve falar assim! Então
o rei de Israel chamou um funcionário e ordenou: Chame depressa Miquéias, filho
de Jemla. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados em seus
tronos com vestes reais, na praça junto à porta de Samaria, e todos os profetas
profetizavam diante deles. Sedecias, filho de Canaana, fez para si chifres de
ferro e disse: Assim diz o Senhor: Com isso, você ferirá os arameus até acabar
com eles. E todos os profetas faziam a
mesma predição, dizendo: Ataque Ramot de Galaad. Você triunfará, porque Deus
vai entregá-la nas mãos do rei.
Enquanto
isso, o mensageiro que tinha ido chamar Miquéias disse ao profeta: Veja bem! Todos
os profetas estão falando em favor do rei. Procure falar como eles e predizer o
sucesso. Miquéias respondeu: Pela vida de Deus! Vou dizer o que O Senhor me
mandar. Quando Miquéias se apresentou ao rei, este lhe perguntou: Miquéias,
podemos atacar Ramot de Galaad, ou não? Miquéias respondeu: Pode ir. Você será
bem sucedido. Javé vai entregá-la nas mãos do rei. Mas o rei lhe perguntou:
Quantas vezes terei de pedir para você jurar que está falando somente a verdade
em nome de Deus? Então Miquéias disse ao rei: Estou vendo Israel espalhado pelas
montanhas, como ovelhas sem pastor. E Deus me disse: Eles não têm mais senhor.
Que cada um volte em paz para casa. O rei de Israel comentou então com Josafá:
Eu não disse a você? Ele nunca profetiza boa sorte, mas sempre desgraça.
Miquéias replicou: Ouça a palavra de Deus. Eu vi Javé sentado em seu trono, e
todo o exército do céu estava em pé, à direita e à esquerda de Deus. E
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Deus
perguntou: Quem poderá enganar Acab, para que ele vá e morra em Ramot de Galaad?
Uns diziam uma coisa, e outros diziam outra. Então um espírito se aproximou,
ficou diante de Deus, e disse: Eu posso enganá-lo. Deus lhe perguntou: De que
modo? Ele respondeu: Irei e me transformarei em oráculo falso na boca de todos
os profetas. Deus lhe disse: Você conseguirá enganá-lo. Vá e faça isso. Como
você pode ver, Deus colocou oráculos falsos na boca de todos esses profetas do
rei, porque Deus decretou a ruína do rei.
Então
Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias, deu-lhe um tapa e disse:
Qual é o caminho por onde o espírito de
Deus saiu de mim para falar a você? Miquéias respondeu: Você o verá no
dia em que tiver de andar de casa em casa para se esconder. Então o rei de
Israel ordenou: Prenda Miquéias e o leve ao governador Amon e ao príncipe Joás.
Você dirá a eles: Por ordem do rei, ponham esse homem na prisão e o tratem a
pão e água, até que o rei volte vitorioso. Miquéias disse: Se você voltar
vitorioso, Deus não falou por minha boca. O rei de Israel e Josafá, rei de
Judá, marcharam contra Ramot de Galaad. O rei de Israel disse a Josafá: Vou me
disfarçar antes de entrar em combate. Você, porém, vá com sua roupa. E o rei de
Israel se disfarçou e foi para o combate. O rei de Aram tinha ordenado aos
comandantes dos carros que não atacassem a ninguém nem pequeno nem grande, mas
somente o rei de Israel. Quando os comandantes dos carros viram Josafá, comentaram:
Esse é o rei de Israel. E se lançaram contra ele. Mas Josafá deu o grito de
guerra e os comandantes dos carros viram que ele não era o rei de Israel, e pararam
de persegui-lo. Um soldado atirou com o arco, ao acaso, e atingiu o rei de
Israel numa brecha da couraça. O rei disse ao condutor de seu carro: Dê a volta
e tire-me do campo de batalha, porque estou ferido. Mas, nesse dia, o combate
se tornou mais violento, de modo que seguraram o rei de pé sobre seu carro,
diante dos arameus. E ele morreu ao entardecer. O sangue de sua ferida escorria
no fundo do carro. Ao pôr-do-sol, um grito correu pelo acampamento: Cada um
volte para sua cidade e para sua terra! O rei está morto! E o levaram para
Samaria, e aí o enterraram. Lavaram o carro na piscina de Samaria, os cães
lamberam o sangue dele e as prostitutas aí se lavaram, como Deus havia anunciado.
O resto da história de Acabe e do que ele fez, o palácio de marfim e as cidades
que construiu, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel. Acab morreu, e
seu filho Ocozias lhe sucedeu no trono.”
Muitos profetas de Israel também enganavam o povo,
manipulando com informações ou mensagens políticas e religiosas claramente
inverídicas, para agradar ao rei ou à elite poderosa. Freqüentavam as mesas e
as festas nos ricos palácios e desta forma recebiam as benesses do poder
terrenal. Foi assim que Miquéias, outro profeta, verdadeiro servo de Deus, por
falar a verdade, foi preso e mantido a pão e água. Os outros, certamente
comendo da mesa do rei e da rainha, não necessitavam temer o regime injusto que
se praticava contra os pobres e humildes.
11
Porque
somente aqueles espíritos corajosos tinham a força moral e a energia da fé em
um Deus verdadeiro, para enfrentar as injustiças e falar a verdade que os
poderosos necessitavam ouvir, mas que odiavam. Como profetas, servos de Deus,
precisavam levar as mensagens de Deus repreendendo os faltosos, fossem reis,
rainhas ou ricos poderosos; para eles não havia acepção de pessoas. Somente os
profetas afeitos ao amor e à lei de Deus eram capazes de verdadeiramente invocá-Lo
e receber suas palavras, suas graças e seus poderes.
Com
o reinado de Ocozias, filho de Acab, Elias conviveu pouco tempo, porque este
rei governou apenas dois anos devido a um acidente. Mas Elias não deixou também
de lhe levar a mensagem de Deus, mostrando-lhe o pecado de adorar deuses falsos
e ter lhe perguntado se não existe Deus em Israel, para consultar Baal-Zebub,
deus de Acaron.
Aconteceu
que:
“Depois da morte de Acab, Moab se revoltou
contra Israel. Ocozias caiu da sacada de seu quarto, em Samaria, e ficou
ferido. Então mandou mensageiros com o seguinte encargo: Consultem Baal-Zebub,
deus de Acaron, para ver se vou sarar destas feridas. Mas o anjo de Deus disse
a Elias, o tesbita: Levante-se e vá ao encontro dos mensageiros do rei de
Samaria e diga-lhes: Por acaso não existe Deus em Israel, para vocês estarem
consultando Baal-Zebub, deus de Acaron? Por isso, assim diz O Senhor: Você não
se levantará da cama em que se deitou. Com certeza você vai morrer. E Elias foi
embora. Os mensageiros voltaram, e o rei Ocozias perguntou-lhes: Por que vocês
voltaram? Eles responderam: Um homem veio ao nosso encontro e nos mandou voltar
ao rei que nos tinha enviado, para dizer a ele: Assim diz O Senhor: Por acaso
não existe Deus em Israel, para que você mande consultar Baal-Zebub, deus de
Acaron? Por isso você não se levantará da cama em que está deitado. Com certeza
você vai morrer. Ocozias perguntou: Como era o homem que foi ao encontro de
vocês e lhes disse essas coisas? Eles responderam: Ele estava vestido com
roupas de pêlos e usava um cinto de couro. O rei disse: É Elias, o tesbita!
Então mandou um oficial com cinquenta soldados buscar Elias. O oficial subiu à
procura de Elias, o encontrou sentado no alto do monte e lhe disse: Homem de
Deus, o rei manda você descer. Elias respondeu: Se eu sou homem de Deus, que um
raio caia e queime você e seus cinquenta soldados. Então um raio caiu e queimou
o oficial e os seus cinquenta soldados. O rei mandou de novo outro oficial com
cinquenta soldados. O oficial subiu e disse a Elias: Homem de Deus, o rei
mandou você descer imediatamente. Elias respondeu: Seu sou homem de Deus, que
um raio caia e queime você e seus cinquenta soldados. Então um raio caiu e
queimou o oficial e seus cinquenta soldados. O rei mandou, pela terceira vez,
um oficial com cinquenta soldados. O oficial subiu, ajoelhou-se diante de Elias
e suplicou: Homem de Deus, que a minha vida e a vida destes cinquenta soldados,
seus servos, tenha algum valor para você. Caiu um raio e queimou dois oficiais,
cada um com seus cinquenta soldados. Mas agora, que a minha vida tenha algum
valor para você! O anjo de Deus disse a Elias: Desça com ele e não tenha medo.
Elias se levantou, desceu com o oficial e foi falar com o rei. E lhe disse:
Assim diz O Senhor: Uma vez que você enviou mensageiros para consultar
Baal-Zebub, deus de Acaron, você não se levantará da cama em que está deitado.
Com certeza você vai morrer. E o rei Ocozias morreu, conforme a palavra de Deus,
12
anunciada por Elias. E
Ocozias não tinha filhos. Por isso, seu irmão Jorão subiu ao trono em seu
lugar; e já fazia dois anos que Jorão, filho de Josafá, era rei de Judá. O
resto da história de Ocozias, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos
Reis de Israel.”
Elias,
o tesbita, de Tesbi de Galaad, levava a mensagem de seu Senhor, Deus, aonde era
preciso. Fosse rei, rainha, ou aos outros ricos e poderosos, Elias era o
mensageiro que levava a palavra do Senhor com a severidade necessária, quando a
injustiça e a maldade eram uma realidade. Ou levava o amor, a caridade, quando
os humildes de coração mereciam. Como quando realizava os milagres rogando força
e poder a Deus. Entre tantos milagres que realizou, um dos mais sublimes a
glorificar a missão do profeta Elias, aconteceu na casa da viúva onde viveu em
Sarepta, na região da Sidônia, na Fenícia, onde se escondeu de Jezabel e Acab.
Foi durante a seca que durou três anos. Ali, junto com a mulher e seu filho, com
a humildade e a pobreza reinantes naquele lar, Elias ficou até voltar à sua
terra, para fazer chover e cumprir sua palavra, como disse ao rei Acab:
“Pela vida de Deus, O
Senhor de Israel, a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não
ser quando eu mandar.”
Quando chegou à casa da viúva, tinha fome e
sede. Foi enviado por Deus, que lhe disse quando se escondia do rei e da rainha,
e vivia às margens do córrego Carit, a leste do Jordão:
“Levante-se, vá para
Sarepta, que pertence à região da Sidônia, e fique morando aí. Porque eu
ordenei a uma viúva que dê comida para você.”
“Elias se levantou e
foi para Sarepta. Chegando à porta da cidade, encontrou uma viúva que estava
recolhendo lenha. Elias a chamou e disse: Por favor! Traga-me um pouco de água
no seu balde para eu beber. Quando a mulher já estava indo buscar água, Elias
gritou para ela: Traga-me também um pedaço de pão. Ela respondeu: Pela vida do
Senhor, seu Deus, não tenho nenhum pão feito; tenho apenas um pouco de farinha
numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Estou ajuntando uns gravetos para
preparar esse resto para mim e meu filho. Depois vamos comer e ficar esperando
a morte. Mas Elias lhe disse: Não tenha medo! Vá e faça o que está dizendo. Mas
primeiro prepare um pãozinho com o que você tem e traga para mim. Só depois
você prepara um pão para você e seu filho. Pois assim diz O Senhor, Deus de
Israel: A vasilha de farinha não ficará vazia e a jarra de azeite não se esgotará, até o dia em que Javé mandar chuva
sobre a terra. A mulher foi fazer o que Elias tinha mandado. E comeram, tanto
ele como também ela e o filho, durante muito tempo. A vasilha de farinha não se
esvaziou e a jarra de azeite não se esgotou, como Deus tinha anunciado por meio
de Elias.”
Elias
ali vivia no aconchego de uma casa humilde, bastante pobre, mas de moradores
cheios de esperança e fé em um Deus bondoso, que não deixava os suprimentos
alimentícios
13
Elias sabia que os caminhos do
Senhor eram seguros, as suas dificuldades eram com os poderosos: a ganância dos
ricos e as injustiças dos reis para com seu povo. Vivendo alí, em
terra estrangeira, naquela casa de
gente humilde, Elias esperava o tempo de voltar pra casa, quando Deus mandasse.
Enquanto esperava, zelava pela viúva e seu filho, ainda criança. Embora o
chamasse homem de Deus e tivesse Elias como hóspede importante, ela queria
saber a razão do sucedido em sua casa: com a chegada do profeta, seu filho vem
a falecer. Será castigo do Senhor, o Deus do profeta? pensou a viúva
desesperada. Será que você veio à minha casa para lembrar minhas culpas e
provocar a morte do meu filho? perguntou ela a Elias.
“Elias respondeu: Dê-me
o seu filho. Pegando o menino dos braços dela, Elias o levou até o quarto de
cima, onde se achava hospedado e o deitou sobre a sua própria cama. Depois
chamou a Javé, dizendo: Senhor, meu Deus, queres castigar até esta viúva que me
hospeda, fazendo o filho dela morrer? Então Elias estendeu-se três vezes sobre
o menino e invocou a Deus: Ó Senhor, meu Deus, faze que este menino ressuscite!
O Senhor atendeu à súplica de Elias, e o menino ressuscitou, tornando a viver.
Elias pegou o menino, o desceu do quarto de cima e o entregou à mãe dele,
dizendo: Olhe, seu filho está vivo. A mulher respondeu a Elias: Agora sei que
você é um homem de Deus, e que de fato anuncia a palavra do Senhor.”
Elias era verdadeiramente servo fiel do
Senhor, seu Deus. Os poderes, o amor e a energia com que Deus gratificava o
profeta eram sublimes. A fé que Elias trazia em seu espírito era sua fortaleza,
por que o profeta sabia que O Senhor nunca falha aos servos amados. E foi ali,
na casa da viúva de Sarepta e seu filho, que Elias viveu até o dia em que Deus
lhe chamou para cumprir a palavra que havia dito a Acab:
“Pela vida de Javé, o
Deus de Israel a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não
ser quando eu mandar.”
Havia
chegado o tempo, o momento certo. Haviam se passado três anos! A fome de seu
povo devido à seca era grande e o profeta precisava voltar.
Como
era viver em Sarepta, a cidade mais antiga do mundo, situada na Fenícia, o país
onde cada cidade tinha um rei e era morada de muitos deuses? O povo adorava
seus ídolos. O deus Baal era um deles, adorado também por Jezabel, a princesa
fenícia que foi para Israel depois de desposar o rei Acab. Como Elias
conciliava sua vida naquela cidade, naquele reino, e vivendo
14
com
aquele povo de costumes diferentes? Afora as crenças, a Fenícia era o país mais
evoluído daquele
tempo, dominando a indústria, o comércio e a navegação mais moderna, que levava
os produtos do reino para países distantes. Além das orações diárias, Elias somente
esperava? O grande profeta de Israel era instruído, um sábio. E devia conhecer
as excentricidades daquele povo e daqueles deuses para amar ainda mais ao
Senhor, seu Deus. Por amor a Deus e ao povo, o seu povo, o povo de Abraão, Elias
não gostava que os ídolos fossem adorados em Israel, para que ninguém se
desviasse do caminho que o verdadeiro Deus, o Deus de Abraão, de Isac e Jacó,
havia ensinado através dos profetas.
Quando
falou com Elias naquele dia, no Horeb, a montanha de Deus, lhe disse O Senhor:
“Pegue o caminho de volta, em direção ao
deserto de Damasco. Unja Hazael como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como
rei de Israel. Unja também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como
profeta em seu lugar”.
E
pensando em seu destino de profeta, Elias atravessa o deserto de Damasco e vai se
encontrar com Eliseu.
“Elias partiu daí e encontrou Eliseu,
filho de Safat, trabalhando com doze juntas de bois. Ele próprio dirigia a
última junta. Elias passou perto de Eliseu e jogou o manto sobre ele. Eliseu deixou
os bois, correu atrás de Elias, e disse: Deixe-me dizer adeus a meus pais.
Depois eu seguirei você. Elias respondeu: Vá, mas volte logo. Quem o está
impedindo de ir? Eliseu afastou-se de Elias, pegou a junta de bois e a ofereceu
em sacrifício. Aproveitou a madeira do arado para cozinhar a carne, e
distribuiu a carne para o seu pessoal comer. Depois levantou-se, seguiu Elias,
e se colocou a seu serviço.”
Ao jogar o manto sobre os ombros de Eliseu,
Elias o escolhia como profeta para acompanhá-lo e depois substituí-lo, conforme
as palavras do Senhor. Ao receber o manto sobre si, Eliseu entende
imediatamente o significado simbólico desta atitude, e dispõe-se a se desfazer
dos próprios bens. Se desfaz do trabalho e da família para seguir o grande
profeta de Israel. Eliseu agora não será mais livre no mundo dos homens, mas
adquirirá uma nova liberdade, a liberdade espiritual, seguindo os caminhos da
vida de profeta como servo de Elias. E assim os dias passam. Elias parece
confiar no seu novo discípulo, cuja dedicação e vontade de aprender supera
todas as dificuldades. Eliseu parece saber desde o início da caminhada com o
mestre, o que acontecerá num breve futuro. Não abandona nem por um momento a presença
de Elias. Quando este lhe fala em ficar aqui ou acolá até voltar de alguma missão,
porque Deus o envia a algum lugar, Eliseu sempre responde:
“Pela vida de Deus e pela sua vida, não
deixarei de acompanhar você.”
15
E
iam juntos. Como um bom discípulo, Eliseu não queria deixar de aprender tudo
sobre seu trabalho, sua nova missão. A presença do mestre, ele sabia, era por
pouco tempo, e todas as oportunidades deveriam ser aproveitadas. Ele queria
fazer muitas perguntas, enquanto não chega o momento da despedida de Elias do
mundo terreno. Não estando presente, como poderia receber o que ele mais
desejava na sua vida de profeta, que eram os poderosos dons de seu mestre? Se
ele não for um bom discípulo, não se dedicar plenamente de corpo e alma a seu
mestre e amo, não aprenderia os segredos e a sabedoria do grande místico que
era Elias. Segredos
místicos
ou sabedoria, Eliseu sabia, não se aprende somente com palavras, mas principalmente
com
os
ouvidos, com o olhar, com o coração e com atitudes. Quando o momento chegasse,
pensava Eliseu, “vou ficar sozinho para receber as mensagens diretamente e
servir a Deus, continuar a missão de Elias e levar a todos a sabedoria dos
antigos profetas de Israel.”
O
mundo girava e Eliseu servia a Elias em qualquer circunstância, sem nunca
questionar as atitudes do mestre. Achava que ainda não era seu tempo de agir,
somente de aprender.
ELISEU DISCÍPULO DE ELIAS
A
ATIVIDADE PROFÉTICA CONTINUA COM ELISEU
Nem
Eliseu nem seus irmãos profetas que esperavam a despedida terrenal do mestre
Elias, imaginavam que tal momento fosse tão sublime, tão inusitado e
imensurável. Talvez imaginassem que fosse uma morte como de qualquer outro ser
humano e depois carregado pelos anjos que viriam do céu para levá-lo, enquanto
do espaço infinito ouviriam sons de trombetas, anunciando a morte de um grande santo.
Mas não foi assim, e o que todos fizeram foi aceitar a despedida de Elias no
carro de fogo, puxado por cavalos de fogo. Aceitar também que outras vidas na
terra continuavam, as vidas de cada um dos profetas que seguiam os preceitos de
Elias, e que agora seguiriam a Eliseu.
“Quando
Deus arrebatou Elias ao céu num redemoinho, aconteceu o seguinte: Elias e
Eliseu partiram de Guilgal. Elias disse a Eliseu: “Fique aqui, porque Deus me mandou
ir sozinho a Betel”. Eliseu respondeu: “Pela vida do Senhor e pela sua vida,
não deixarei de acompanhar você”. E desceram juntos a Betel. Os irmãos profetas
que moravam em Betel foram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: “Você está sabendo
que Deus hoje mesmo vai levar embora seu mestre, nos ares, por cima da sua
cabeça?” Eliseu respondeu: “Claro que sei. Mas fiquem quietos”. Elias disse:
“Eliseu, fique por aqui mesmo, porque Deus me manda ir sozinho a Jericó”. Mas
Eliseu respondeu: “Pela vida de Deus e pela sua vida, não deixarei de acompanhar
você”. E foram para Jericó. Os irmãos profetas que moravam em Jericó se
aproximaram de Eliseu, e lhe disseram: “Você está sabendo que Deus hoje mesmo
vai levar embora seu mestre, nos ares, por cima da sua cabeça?” Eliseu
respondeu: “Claro que sei. Mas fiquem quietos”.
Elias
disse a Eliseu: “Fique por aqui mesmo, porque Deus me manda ir sozinho até o
Jordão”. Mas Eliseu respondeu:
16
“Pela vida do senhor e pela sua vida,
não deixarei de acompanhar você”. E eles foram juntos. Com eles foram cinqüenta irmãos
profetas. Estes ficaram a certa distância, enquanto os dois pararam à margem do
rio Jordão.Então Elias pegou o manto, o enrolou e bateu com ele na água. A água se
dividiu em duas partes, de tal modo que os dois passaram o rio sem molhar os
pés. Depois que passaram o rio, Elias disse a Eliseu: “Peça o que você quiser,
antes que eu seja arrebatado da sua presença”. Eliseu pediu: “Deixe-me como
herança dupla porção do seu espírito”. Elias disse: “Você está pedindo uma
coisa difícil. Em todo caso, se você me enxergar quando eu for arrebatado da
sua presença, isso que pede lhe será concedido; caso contrário, não será concedido”.
E,
enquanto estavam andando e conversando, apareceu um carro de fogo com cavalos
de fogo, que os separou um do outro. E Elias subiu ao céu no redemoinho. Eliseu
olhava e gritava: “Meu pai! Meu pai!
Carro
e cavalaria de Israel” Depois não o viu mais. Então Eliseu pegou sua própria
túnica e a rasgou em duas partes. Pegou o manto de Elias, que havia caído, e
voltou para a margem do Jordão. Segurando o manto de Elias, bateu com ele na
água, dizendo: “Onde está o Senhor, o Deus de Elias?” Bateu na água que se
dividiu em duas partes. E ele atravessou o rio. Ao vê-lo, os irmão profetas,
que estavam a certa distância, comentaram: “O espírito de Elias repousa sobre
Eliseu.” Então foram ao seu encontro, se prostraram diante dele, e disseram:
“Aqui, entre seus servos você pode contar com cinqüenta homens valentes.
Permita que eles saiam para procurar seu mestre. Talvez o espírito de Deus o
tenha arrebatado e jogado sobre algum monte ou dentro de algum vale.” Eliseu
respondeu: “Não mandem ninguém”. Eles porém, insistiam tanto, a ponto de aborrecê-lo.
Por fim, ele disse: “ Então mandem”. Eles mandaram cinqüenta homens, que
procuraram Elias durante três dias, mas não o encontraram. Voltaram para Eliseu,
que tinha ficado em Jericó. Então Eliseu lhes disse: “Não falei para vocês não irem?”
Os
habitantes de Jericó disseram a Eliseu: “A localização da cidade é boa, como o
senhor pode ver, mas a água é ruim e faz as mulheres abortarem”. Eliseu pediu:
“Tragam para mim um prato novo com sal”. Eles levaram o prato, e Eliseu foi até
a fonte de água, jogou nela o sal, e disse: “Assim diz o Senhor: Eu faço esta
água ficar boa, e ela não causará nem morte nem esterilidade”. E a água se
tornou potável até o dia de hoje, como Eliseu tinha dito.
Jorão,
filho de Acab, subiu ao trono de Israel, em Samaria, no ano dezoito do reinado
de Josafá, rei de Judá. Reinou doze anos. Fez o que Javé reprova, embora nem
tanto como seu pai e sua mãe, pois derrubou a estela de Baal, que seu pai tinha
erguido. Contudo, repetiu os pecados de Jeroboão, filho de Nabat, fez Israel
cometer, e deles não se afastou. Mesa, rei de Moab, era criador de gado e
pagava ao rei de Israel cem mil cordeiros e cem mil carneiros, juntamente com a
lã. Quando Acab morreu, Mesa se revoltou contra Israel. Nesse tempo, o rei
Jorão saiu de Samaria e passou revista a todo o Isael. Depois mandou dizer ao
rei de Judá: “O rei de Moab se revoltou contra mim. Você quer ir comigo para
lutar contra Moab?” O rei de Judá respondeu: “Sim. Você e eu, seu exército e o
meu, sua cavalaria e a minha, somos todos um só.” E perguntou: “Que caminho
seguiremos?” Jorão respondeu: “O caminho do deserto de Edom.”
Então
os reis de Israel, Judá e Edom partiram. Depois de marchar sete dias, faltou
água para o exército e os animais. Então o rei de Israel exclamou: “Ai de nós!
Javé nos reuniu , os três reis, para nos entregar em poder de Moab.” O rei de
Judá perguntou: “Não existe por aqui algum profeta para podermos consultar a
Deus?” Um dos oficiais do rei de Israel respondeu: “Aqui há um certo Eliseu, filho de Safat, que derramava água
nas mãos de Elias”. Josafá comentou: “A palavra de Deus está com ele”. Então o
rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom foram ao encontro de Eliseu. Mas
Eliseu disse ao rei de Israel: “Deixe-me
17
De
fato, na manhã seguinte, na hora da apresentação da oferta, veio água dos lados
de Edom, e toda a região ficou alagada. Os moabitas ficaram sabendo que esses
reis tinham chegado para os atacar. Então convocaram todos os que tinham idade
para pegar em armas e tomaram posição na fronteira. De manhã, quando se
levantaram e o sol brilhou sobre a água , os moabitas viram de longe a água,
vermelha como sangue. Então disseram: “É sangue. Os reis lutaram entre si e se
mataram. E agora, Moab, vamos
saquear”.
Mas quando os moabitas chegaram ao acampamento israelita, os israelitas se
levantaram e derrotaram os moabitas, que fugiram. Os israelitas entraram no
território de Moab e o arrasaram: destruíram as cidades, e cada um atirou
pedras nos melhores campos até os cobrir, fecharam todas as fontes e cortaram
todas as árvores frutíferas. Sobrou apenas Quir-Hares, que foi cercada e
atacada pelos atiradores de pedras. Quando o rei Moab percebeu que não
conseguiria sustentar o combate, tomou consigo setecentos homens armados de
espada, para abrir uma passagem e chegar até o rei de Aram. Mas não conseguiu.
Pegou então, seu filho primogênito, que lhe sucederia no trono, e o ofereceu em
holocausto sobre a muralha. Desencadeou-se então uma grande indignação contra
os israelitas, que tiveram de se retirar e voltar para seu país.
A Libertação dos
Pobres
A
esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: “Meu marido, seu servo,
morreu. E você sabe que seu servo temia a Deus. Mas um homem, a quem devíamos,
veio para levar meus dois filhos como escravos”. Eliseu perguntou: —“ Que posso
fazer por você? Diga-me o que você tem
em casa.” A mulher respondeu: —“Tudo que tenho em casa é uma vasilha de
azeite”. Então Eliseu ordenou: —“Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande
quantidade de vasilhas. Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos
dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá
colocando à parte”. A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam
levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro. Quando as
vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: “Traga mais uma”. E ele respondeu:
“Acabou”. Então o azeite parou de correr. A mulher foi contar isso ao homem de
Deus, e ele disse: “Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar
para viver com seus filhos”.
Portador da Vida
Certo
dia, Eliseu passou pela cidade de Sunam, onde morava uma mulher rica, que o
convidou para uma refeição em sua casa. Depois disso, cada vez que passava por
aí, Eliseu entrava para comer. A mulher disse ao marido: “Olhe, esse homem que
está sempre em nossa casa é um santo homem de Deus. Vamos fazer para ele um
quarto de tijolos no terraço, com cama, mesa, cadeira e lâmpada. Quando ele
vier à nossa casa, poderá ficar aí”.
Um dia que Eliseu passou por Sunam, subiu
para o quarto do terraço e se deitou. Ele disse a seu servo Giezi: “Chame a
sunamita”. O servo a chamou, e ela se apresentou a Eliseu. E ele disse ao
servo: “Diga a ela:
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A mulher, porém, ficou grávida e deu à luz
um filho no ano seguinte, na mesma época que Eliseu havia predito. O menino
cresceu. Certo dia, foi encontrar seu pai junto com os ceifadores, e lhe disse:
“Estou com dor de cabeça”. O pai disse a um dos servos: “Leve o menino para
junto da mãe”. O servo pegou o menino e
o levou para a mãe. O menino ficou no colo da mãe até o meio-dia, e depois
morreu. A mãe subiu até o terraço, colocou o menino sobre a cama do homem de
Deus, fechou a porta e saiu. Depois chamou o marido e lhe disse: “Mande-me um servo
e uma jumenta. Vou correndo à casa do homem de Deus e volto logo”. O marido
perguntou: “O que é que você vai fazer lá hoje? Não é nem lua nova nem sábado”.
Mas ela respondeu: “Fique sossegado”. Ela mandou selar a jumenta, e disse ao
servo: “Vá na minha frente, e pare somente quando eu lhe disser.” Então a
mulher foi ao encontro do homem de Deus
no monte Carmelo. O homem de Deus viu a mulher de longe, e disse a seu servo
Giezi: “A sunamita vem aí. Corra ao encontro dela e pergunte: “Você está bem?
Seu marido vai bem? Seu filho está bem?”A mulher respondeu: “Estamos bem”.
Quando chegou perto do homem de Deus, no alto da montanha, a mulher abraçou os
pés dele. Giezi se aproximou para afastá-la, mas o homem de Deus lhe disse: “Deixe-a.
Ela
está
com a alma amargurada. Deus me escondeu isso e nada me revelou”. Então a mulher
perguntou: “Por acaso eu lhe pedi um filho? Eu lhe havia pedido que não me
enganasse.” Eliseu ordenou a Giezi: “Apronte-se, pegue meu bastão e coloque-se
a caminho. Se você encontrar alguém, não o cumprimente, e se alguém o
cumprimentar, não responda. Coloque meu bastão sobre o rosto do menino”. Mas a
mãe disse: “Pela vida do Senhor e pela sua vida, eu não o deixarei”. Então
Eliseu se levantou e a seguiu. Giezi que fora na frente, tinha colocado o
bastão sobre o rosto do menino, mas o menino não falou nem reagiu. Então o
servo voltou ao encontro de Eliseu e informou: “O menino não despertou”.
Eliseu
entrou na casa e encontrou o menino morto, estendido sobre sua própria cama. Entrou,
fechou a porta e rezou a Deus. Depois subiu na cama, deitou-se sobre o menino,
colocou a boca sobre a dele, os olhos sobre os dele, as mãos sobre as dele, e
estendeu-se sobre o menino. E o menino foi se aquecendo. Então Eliseu começou a
andar pelo quarto, de cá para lá. Depois subiu de novo na cama e se estendeu
sobre o menino. Fez isso sete vezes. Então o menino espirrou e abriu os olhos.
Eliseu chamou Giezi e lhe disse: “Chame a sunamita”. Giezi a chamou. Quando ela
chegou perto de Eliseu, este lhe disse: “Pegue seu filho”. A mulher entrou,
jogou-se aos pés de Eliseu e prostrou-se no chão. Depois pegou o filho e saiu.
O homem de Deus não somente
profetizava, mas estava também atento às necessidades espirituais, sociais e
materiais de seu povo; ora esclarecendo, às vezes denunciando as injustiças dos
poderosos contra os humildes, ou fazendo milagres quando as situações o
exigiam. A força espiritual dos grandes profetas como Eliseu era a maior
riqueza.
Eles sabiam e valorizavam somente essas relações metafísicas que os uniam a Deus. Levavam vidas humildes, em geral sem maiores recursos que a alimentação necessária e um teto para se cobrir dos temporais. Seus poderes espirituais lhes forneciam a total integração entre o físico e o espiritual; e servir ao Senhor era a única vontade e razão de suas vidas no plano terrenal. Com certeza, quando Eliseu percebeu a necessidade imperiosa de salvar a vida do filho da sunamita, que ele mesmo havia pedido a Deus, não teve dúvidas. Deus estava sempre com Eliseu.
Eles sabiam e valorizavam somente essas relações metafísicas que os uniam a Deus. Levavam vidas humildes, em geral sem maiores recursos que a alimentação necessária e um teto para se cobrir dos temporais. Seus poderes espirituais lhes forneciam a total integração entre o físico e o espiritual; e servir ao Senhor era a única vontade e razão de suas vidas no plano terrenal. Com certeza, quando Eliseu percebeu a necessidade imperiosa de salvar a vida do filho da sunamita, que ele mesmo havia pedido a Deus, não teve dúvidas. Deus estava sempre com Eliseu.
“Quando
Eliseu voltou para Guilgal, havia fome na região. Os irmãos profetas estavam sentados
na sua frente. Então Eliseu disse ao seu servo: — “Ponha a panela grande no
fogo, e prepare uma sopa para os
19
irmãos
profetas.” Um deles foi ao campo para apanhar verdura. Encontrou uvas bravas,
apanhou-as e encheu o manto. Ao chegar, cortou-as em pedaços dentro da panela
de sopa, sem saber que eram venenosas. E distribuíram a sopa para que os homens
comessem. Logo que provaram a sopa, gritaram: — Homem de Deus, isso é veneno.
Eliseu ordenou: — Tragam farinha. Então
pôs farinha na panela e disse: — Sirva as pessoas para que comam. E já não
havia nada de ruim na panela.
Para ser respeitado entre seu
povo, um profeta fala mais pelos exemplos que por palavras; era assim que Eliseu
gostava de se comportar, começando por repartir o pão para todos e levar harmonia,
paz e espiri- tualidade à sua gente. Somente levando o exemplo e o amor ao
próximo em primeiro lugar, pensava ele, poderia haver a integração necessária
entre o humano e o espiritual, para estar mais perto do Senhor, seu Deus.
“Um
homem de Baal-Salisa levou, ao homem de Deus, pão da primeira colheita; levou
vinte pães de cevada e trigo novo no bornal. Eliseu ordenou: “Distribua a essas
pessoas para que comam”. Seu servo disse: “Como vou distribuir isso para cem
pessoas”. Eliseu insistiu: “Distribua a essas pessoas, para que comam. Porque assim diz o Senhor: Elas comerão e
ainda sobrará”. Então o servo os distribuiu. Todos comeram e ainda sobrou, como
Deus tinha dito.
Entre tantos outros milagres como
este da multiplicação dos pães de cevada, Eliseu vivia entre seu povo, entre os
mais humildes. E não se cansava de ensinar as boas ações e o valor da vida
espiritual que a fé em Deus poderia proporcionar a todos aqueles que verdadeiramente
praticassem o amor e a partilha.
Era assim que vivia o santo e milagroso profeta Eliseu. Como quando seus
irmãos profetas o chamaram para viver em uma comunidade maior e mais
confortável. Foi quando Eliseu deu outra grande manifestação de amor, milagre e
partilha entre os pobres.
“Os
irmãos profetas disseram a Eliseu: — Como o senhor pode perceber, o lugar onde
estamos morando com o senhor é muito pequeno para nós. Vamos até o rio Jordão,
e cada um de nós pegará um tronco para construir aí uma casa”. Eliseu disse:
—“Podem ir”. Um deles pediu: “Por favor, venha com os seus servos”. Eliseu
respondeu: “Eu vou”. E foi com eles. Chegando ao rio Jordão, começaram a cortar
madeira. Um dos irmãos estava cortando
um tronco e o machado caiu na água. Então ele gritou: “Meu senhor, era um
machado emprestado!” O homem de Deus perguntou: “Onde é que o machado caiu?” O
irmão mostrou-lhe o lugar. Então Eliseu cortou um galho de árvore, jogou no
lugar e o machado boiou. Eliseu disse: “Pegue o machado”. O homem estendeu a
mão e pegou o machado.
O profeta na
vida política de Israel
O
rei de Aram estava em guerra contra Israel. Numa reunião com seus oficiais, ele
determinou: “Vamos fazer uma emboscada em tal lugar”. Mas Eliseu mandou dizer ao rei de Israel:
“Cuidado com o tal lugar, porque os arameus estão acampados aí”. O rei de
Israel mandou seus homens para o lugar que Eliseu lhe havia indicado. Eliseu
avisava, e o rei tomava precauções. E isso aconteceu várias vezes. O rei de Aram ficou perplexo com isso,
convocou seus oficiais e perguntou: “Digam-me: “Quem dos nossos está nos
traindo junto ao rei de Israel?” Um dos oficiais respondeu: “Não é nenhum de
nós, senhor meu rei. É Eliseu, profeta
de Israel, que revela ao rei de Israel até as palavras que o senhor diz no
quarto de dormir.”
Então
o rei ordenou: “Vejam onde ele está, que eu o mandarei prender”. Então
informaram: “Eliseu está em Datã”. O rei mandou para lá cavalaria, carros e
poderosa tropa, que chegaram de noite e cercaram a cidade. No dia seguinte,
Eliseu madrugou para sair, e viu que um exército estava cercando a cidade, com
cavalos e carros. Seu servo lhe disse: “Meu senhor, o que vamos fazer?” Eliseu
respondeu: “Não tenha medo. Os que estão conosco são mais numerosos que eles”.
E Eliseu rezou: “Senhor, abre os olhos do
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meu
servo, para que ele possa enxergar”. Deus abriu os olhos do servo, e ele viu a
montanha cheia de cavalaria e carros de fogo em torno de Eliseu. Quando os
arameus desceram contra ele, Eliseu pediu a Deus: “Atrapalha a vista desse
pessoal”. E Deus atrapalhou a vista deles, conforme Eliseu havia pedido. Então
Eliseu disse para eles: “Não é este o caminho, nem a cidade certa. Sigam-me, e
eu os levarei ao homem que vocês estão procurando”. E os levou para Samaria.
Quando entraram em Samaria, Eliseu pediu: “Senhor, abre os olhos deles, para
que enxerguem bem”. Deus abriu os olhos deles, e eles começaram a enxergar:
estavam no centro de Samaria! Ao vê-los, o rei de Israel perguntou: “Devo
matá-los, meu pai?” Ele respondeu: “Não os mate. Será que você iria matar gente
que você não aprisionou com sua espada e seu arco? Dê-lhes pão e água, para que
comam e bebam, e depois voltem para o seu
senhor”. O rei lhes preparou um grande banquete. Eles comeram e beberam.
Depois o rei os despediu, e eles voltaram para o seu senhor. E os bandos
arameus não fizeram mais incursões no território israelita.
Memória e
influência de Eliseu
Eliseu disse à mulher, cujo filho ele
havia feito reviver: “Pode partir com sua família e vá morar onde você puder,
no estrangeiro, porque Javé mandou a fome, que já está chegando ao país, e vai
durar sete anos”. A mulher foi e fez o que o homem de Deus tinha mandado:
partiu com sua família e morou sete anos no território dos filisteus. Passados
sete anos, ela voltou da terra dos
filisteus, e foi reclamar junto
ao
rei sobre sua casa e seu terreno. O rei
estava conversando com Giezi, servo do homem de Deus. Ele dizia: “Conte-me
todas as grandes coisas que Eliseu fez”. Giezi estava contando ao rei a
ressurreição
do
menino morto, quando a mulher, cujo filho Eliseu havia ressuscitado, chegou
para reclamar junto do rei sobre sua casa e seu terreno. Giezi disse: “Senhor
meu rei, essa é a mulher e esse é o menino, que Eliseu ressuscitou”. O rei
interrogou a mulher e ela contou o acontecido. Então o rei mandou que um
funcionário a acompanhasse. E ordenou: “Seja restituído a essa mulher tudo o
que lhe pertence e todos os rendimentos do terreno, desde o dia em que ela
deixou o país até hoje”.
Eliseu foi o mais milagreiro dos
profetas bíblicos e mesmo depois de morrer, continuou com sua força espiritual
e santidade, a promover milagres. A Bíblia conta:
“Eliseu
morreu e foi enterrado. Todos os anos, bandos moabitas faziam incursões no
país. Certa vez, alguns homens que estavam enterrando um morto avistaram um
desses bandos. Jogaram o corpo dentro do túmulo de Eliseu e foram embora.
Aconteceu que o corpo, tocando os ossos de Eliseu, reviveu e se colocou de pé.”
Mesmo morto, o santo profeta
continuou fazendo milagres. Contudo, há quase três mil anos, desde os tempos de
peregrinação pelas estradas de Israel para cumprir a missão de profetas, que Elias
e Eliseu são admirados e suas histórias são lidas e ouvidas pelo povo de Israel.
Depois se expandiu para o mundo inteiro, como hinos de fé, esperança e
verdade. Elias e Eliseu ficariam para
sempre recordados como dois profetas milagreiros, porque a maioria somente
profetizava. A fé em um Deus verdadeiro, o Deus de Abrão, Isac e Jacó, passou a
inundar o coração de muitos povos; não somente dos israelitas. O povo judeu, o
primeiro povo a ter uma religião monoteísta, de um pequeno país, perdido no
oriente médio, conseguiu conservar sua fé religiosa, sua cultura, sua língua e
suas tradições há milhares de anos, devido aos ensinamentos dos profetas,
sobretudo destes dois grandes israelitas que foram Elias e Eliseu, dois santos
profetas bíblicos.
Suas vidas dedicadas ao povo, mas
primeiramente ao Senhor, Deus de Abraão, de Isac e Jacó, ultrapassaram a idade
dos tempos. Com certeza, serão sempre recordados e suas santas vidas estarão
nas orações e pedidos, não somente dos hebreus, mas também dos seguidores das
milhares de religiões e seitas judaico-cristãs.
INTELIGÊNCIA
VOCÊ TEM? OU NÃO TEM?
Muito
se fala da inteligência de poucos e da burrice de muitos, mas o que ocorre é
bem diferente do que todos pensamos até agora: a grande maioria temos uma
inteligência média, muito parecida em termos gerais, com exceção dos gênios
como Einstein, Leonardo Da Vinci, um Picasso, um Michelangelo e outros poucos.
O que ocorre é a indolência para pensar que leva o indivíduo a levar uma vida
medíocre em termos de realização. Muitos não têm vontade nem para estudar um
mínimo que seja para melhorar sua sobrevivência mental e material, para sair
assim de sua pobreza indigna.
O
psicólogo americano Howard Gardner estudou a inteligência humana durante mais
de vinte e cinco anos, escreveu mais de vinte livros e diz que a mente é
composta de múltiplas capacidades independentes entre si. Numa entrevista
especial à revista Veja nos fala que há cientificamente oito tipos
inteligência: a lingüística, a lógica, a espacial, musical, corporal,
naturalista(a habilidade de compreender os fenômenos naturais); intrapessoal(a
capacidade de reconhecer os próprios defeitos e qualidades — e tomar decisões
com base neles), a interpessoal(a capacidade de interpretar as intenções alheias
e tomar decisões de liderança). Continua dizendo o psicólogo que uma pessoa pode
ser muito inteligente para determinada tarefa, mas em outras pode ser uma
verdadeira nulidade, um verdadeiro burro para usar a palavra certa.
Outros
possuem uma mistura de diversos tipos de inteligência, o que torna bem mais
complexa esta maneira de pensar onde achamos que há os muito burros e os poucos
muito inteligentes. Alguns, disse Gardner, são brilhantes ao filosofar sobre as
grandes questões do mundo moderno, mas não tem nenhum traquejo para executar um
exercício físico de jardim-de-infância.
Quanto
ao teste de Qi foi comprovado que se mede a rapidez de raciocínio, mas não a
capacidade de resolução de problemas. Então o fato de alguém demorar mais para
fazer uma conta, por exemplo, não comprova que seja menos inteligente. Mas por
outro lado, disse o cientista da mente, “com esforço a inteligência humana pode
ser bem melhorada”. Mas poucos parecem
se preocupar com isso, com o esforço, e assim na moleza, nossos estudantes
ficam quase todos b... que parecem nem saber para que ou porque vão à escola;
ou se pensam que sabem, parecem pensar que é somente para passear, ou brincar
de pegar diploma.
Um
conhecido professor e coordenador do curso de medicina da Universidade Federal
da Bahia, Dr. Antônio Dantas, ficou nervoso com o resultado dos seus alunos no
Enade — Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes — e disse que a culpa é do
baixo Qi dos baianos. (Saiu em todos os jornais e revistas, você viu? E o pior,
todos lhe caíram em cima como se fosse uma mentira, né ?) E completou falando que na Bahia eles tocam bem o berimbau por que este instrumento tem
uma corda só, e se tivesse mais, uma só a mais, não conseguiriam por serem
muito entupidos. Achei correta a comparação do preocupado professor que devia
estar desiludido com o nível de escolaridade de seus alunos, mas achei injusto.
Injusto porque falou somente do Qi dos baianos. Afinal, se ele soubesse que de
cada dez alunos dos estados mais ricos do Brasil — que também poderiam ser mais
desenvolvidos educacionalmente — que saem da oitava série, somente um sabe ler
e escrever de acordo com seus oito anos de estudos, ele talvez se conformasse.
Ou também pode ser que é por isso mesmo, porque ele sabe, e não consegue
aceitar tamanha burrice, perdão, tamanha preguiça mental da grande maioria dos
brasileiros.
Mas
para finalizar este assunto de inteligência e burrice — não estou preocupado em
saber quem é burro ou inteligente, simplesmente gosto de ficar longe de quem
tem a orelha da mente muito grande — o que parece real é que sem uma educação
de qualidade e sem o hábito da boa leitura, não se pode desenvolver o intelecto.
E assim o Brasil vai continuar ficando na traseira dos países mais
desenvolvidos como sempre esteve. Porque desenvolvimento é: educação e cultura.
O país mais rico do mundo em recursos naturais é um dos mais pobres em recursos
mentais. Numa pesquisa de leitura entre sessenta e dois países feita por um
organismo da ONU, nosso país ficou entre os três últimos, ao lado de países
africanos. Mas e daí? Estudar, ler bons
livros e boas revistas para quê? Vamos ver o BBB?
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