sábado, 19 de dezembro de 2015

OS MILAGRES DE ELIAS E ELISEU


OS MILAGRES DE ELIAS E ELISEU 
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Elias, o tesbita, de Tesbi de Galaad, estava dentro de uma gruta na montanha, o monte Ho-reb, também chamada a montanha de Deus. Fugia do rei Acab e da rainha Jezabel, que o buscavam por todo Israel para acabar com sua vida. Estava desesperado. Havia caminhado quarenta dias e quarenta noites, depois de se alimentar com a comida — um pão assado so-bre pedras quentes e uma jarra de água — que um anjo lhe deixara ao lado de sua cabeça, enquanto descansava e dormia, debaixo de uma árvore. Depois de tocá-lo, disse-lhe o anjo: “Levante-se e coma.”. Assim revigorado, chegou à gruta, e agora estava à espera de uma nova mensagem que somente ele, como o grande profeta de Israel, receberia de Deus. Chegara até ali cheio de esperança, em busca de um novo encontro com Javé; mas antes, enquanto dormia debaixo daquela árvore, não queria mais viver. Estava cansado, pensava nas dificuldades da sua missão de profeta para levar ao povo de Israel a importância de seguir somente ao Senhor, o Deus verdadeiro. Disse ele: 

“Chega Senhor! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor que meus pais”.
 Elias passou a noite na caverna esperando ansiosamente uma palavra poderosa e de ânimo do Senhor. Enquanto esperava, pensava nas aflições da sua vida errante, de profeta perseguido por levar a mensagem de Deus aos israelitas, muitos sendo cativados pelo falso deus Baal, que a rainha Jezabel, filha de rei fenício, adorava. O rei de Israel, Acab, ao desposá-la, adotou os costumes e a religião dos fenícios com seu deus Baal, considerado senhor da fertilidade e da vida, e tinha por conta quatrocentos e cinquenta profetas que comiam à mesa com ele e Jezabel. Mas em vez da vida e da fertilidade, era a seca e a morte que dominavam os campos férteis da Cananéia prometida. Elias era o culpado, pensavam. Foi ele que pediu a Deus para mandar aquela seca, para mostrar aos filhos de Abraão que Deus é o verdadeiro Senhor. De repente, a palavra chegou: 


“Elias, que fazes aqui? Elias responde: “O zelo pelo Deus dos Exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram sua aliança, derrubaram seus altares e mataram seus profetas. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também.” A voz continuou: “Saia e fique no alto da montanha, diante de Deus, pois Deus vai passar”. Então um furacão violento passa à frente de Elias, rachando as montanhas e quebrando as rochas. Mas Deus não estava no furacão. Logo veio um grande terremoto, Javé porém não estava no terremoto. Depois veio um fogo poderoso que queimava tudo ao redor, mas Javé não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma brisa suave.” “Ouvindo-a, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou na entrada da gruta. Ouviu então uma voz que lhe dizia: O que é que você está fazendo aqui, Elias? E Elias respondeu: O zelo do Senhor dos Exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram sua aliança, derrubaram seus altares e mataram seus profetas a fio de espada. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também.” E Deus disse a Elias: “Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de


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 Damasco. Unja Hazael como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unja também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.” 


A voz divina continuou falando aos ouvidos e ao coração de Elias, mas ele já estava contente, realizado. Agora sabia. Sua missão de profeta estava quase cumprida. Em pouco tempo, não seria mais necessário correr pelos desertos como um fugitivo, passando fome e sede, vestido com a pele dos animais silvestres, para pregar a palavra do Senhor e apontar as injustiças dos reis e poderosos, a causa das perseguições desde o início, quando começou sua caminhada de profeta em Israel. Agora, pensava ele, era agir e cumprir as ordens que ouviu do seu Senhor, Deus. Por último, encontrar Eliseu e prepará-lo para a missão que ele em breve deixava. Tinha certeza que Eliseu continuaria sua obra tão bem quanto ele, com o mesmo zelo por seu Senhor, porque assim Deus queria. Ia contente, passando pelo mesmo caminho de onde veio, em direção ao deserto de Damasco. Ia recordando sua vida a serviço do Senhor, seu Deus, a fantástica energia criadora que havia recebido Dele e que lhe possibilitava ter um controle total sobre a matéria e os fenômenos deste mundo. Como nestes últimos dias, a chegada das chuvas! Foi ele, Elias, que com sua fé, pediu a Deus e fez chover! Depois de três anos de seca, como havia prometido aos infiéis de Israel, e ao rei Acab, para saberem que somente o Senhor é o verdadeiro Deus. Dissera ele três anos antes ao rei: 


“Pela vida do Deus de Israel, a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não ser quando eu mandar.” 
Teve de fugir, se não quisesse ser morto pelos soldados do rei e da rainha, que conheciam os poderes de Elias e lhe tinham ódio, porque Elias lhes mostrava seus pecados, suas injustiças contra os humildes do reino. Recordava outras passagens da sua vida. Muito embora o sofrimento causado pela seca foi destrutivo em todo Israel, ele achava que tinha alcançado os objetivos, que tinha sido necessário. Mesmo ele, não tendo onde recostar a cabeça, ficou à mercê do tempo, somente com a fé em seu Deus verdadeiro. Foi viver junto à natureza como lhe alertara Deus, o seu Senhor: 


 “Saia daqui, dirija-se para o oriente e esconda-se junto ao córrego Carit, que fica a leste do Jordão. Você poderá beber água do córrego. Eu ordenei aos corvos que levem comida para você.” “Então Elias partiu e fez como seu Senhor havia mandado: foi morar junto ao córrego Carit, a leste do Jordão, e os corvos lhe levavam pão de manhã e carne à tarde. E ele bebia água do córrego.” 

Agora que a chuva chegou como ele mandara, mesmo assim Acab e Jezabel não lhe perdoavam. Afinal, ele, como profeta de Deus, não aceitava os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal alimentados por ela com apoio do rei. Elias tinha, pensava ele, que desmascarar tudo iso; para ele era tudo uma farsa para enganar e desencaminhar o seu povo, o povo de Israel, filhos de Abraão.Elias continua sua caminhada, em direção ao deserto de Damasco, recordando sua missão, seu passado de profeta. Muitas ciladas, muitos perigos ele conseguira ultrapassar 

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  levando a mensagem de seu Deus, seu Senhor.  Logo mais, pensava ele, passaria o bastão para Eliseu. Mas antes devia prepará-lo, ensinar-lhe os segredos da vidência e da sabedoria mística; a sua e a dos antigos profetas, que ele aprendera com muito esforço e dedicação. Voltou a se lembrar dos motivos, da razão do rei Acab e a rainha Jezabel lhe odiar, agora com muito mais intensidade; lhe procurando pelos lugares mais inusitados, pelas fontes, córregos e rios. Depois que ele voltou de Sarepta, na região da Sidônia, na Fenícia, onde viveu um bom tempo, fugindo da perseguição dos seus inimigos enquanto durava a seca, por acaso se encontrou com Abdias, chefe do palácio do rei. Disse a ele:

 — “Vá dizer ao seu patrão que Elias está aqui.” Abdias respondeu: —“Que pecado eu cometi para que o senhor me entregue nas mãos de Acab, para ele me matar? Pela vida do Senhor, o seu Deus; não há nação, nem reino, aonde meu patrão não tenha mandado procurar pelo senhor. E quando diziam: Elias está aqui, meu patrão fazia o reino e a nação jurarem que não haviam achado o senhor. E agora o senhor me manda dizer ao meu patrão que Elias está aqui? Quando eu sair daqui, o espírito de Deus transportará o senhor não sei para onde. Eu irei informar Acab, e ele, não o encontrando, me matará. E seu servo teme a Deus desde a juventude. Por acaso, não contaram ao senhor o que fiz quando Jezabel estava matando os profetas de Deus? Escondi numa gruta cem profetas de Deus, em grupos de cinqüenta, e providenciei pão e água para eles. E agora o senhor me manda dizer ao meu patrão que Elias está aqui?! Ele vai me matar!” Elias lhe disse que não tivesse medo e completou: “Pela vida do Deus dos exércitos, a quem sirvo: hoje mesmo eu vou me apresentar diante de Acab.” Então Abdias foi encontrar-se com o rei e deu o recado do profeta.

Acab saiu ao encontro de Elias com a raiva característica dos poderosos e, ao vê-lo, foi logo dizendo: “Você é a ruína de Israel!” E Elias, com sua verdade cortante de um homem temente a Deus, respondeu: “Não sou eu que estou arruinando Israel. Pelo contrário, é você e sua família, porque vocês abandonaram Deus e seguiram os ídolos. Pois bem, mande que todo Israel se reúna comigo no monte Carmelo, junto com os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, que comem à mesa de Jezabel.”
Elias caminhava pelo deserto de Damasco, olhando a paisagem da estrada que nunca termina. Será necessário andar mais quarenta dias e quarenta noites como na vinda? pensa ele,  embora sem se preocupar com o tempo que passa. Afinal, sua vida foi andar pelas terras de Israel como um vagamundo, somente observando as ordens de seu Senhor, o Deus dos exércitos. Enquanto sobe uma alta colina e olha o vale deserto, volta a lembrar-se de sua conversa com o rei Acab e não deixa de dar um leve sorriso, recordando também de sua coragem e sua fé em Deus, 

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o Deus de Abraão. Sorriso de contentamento, porque Acab convocou todos os israelitas e os profetas de Baal no monte Carmelo. Chegou o momento:
“Então Elias se aproximou do povo e disse: — Até quando vocês vão mancar com as duas pernas? Se o Senhor é o Deus verdadeiro, sigam o Senhor. Se é Baal, sigam a Baal.”
Viu Elias que o povo não respondia. Era por indecisão ou porque já não sabiam mais a quem seguir? Ou era somente a confusão mental de um povo levado pelas palavras e a promoção dos costumes estrangeiros trazidos a Israel pelo rei Acab e a rainha Jezabel? Por que insistiam com o povo na adoração dos ídolos que trouxeram da Fenícia? Não! Era uma afronta ao Deus de Abraão e Elias não aceitava isso.
 “Então Elias continuou: Fiquei sozinho como profeta de Deus, enquanto os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta. Tragam aqui dois bezerros: Vocês vão escolher um. Depois de cortá-lo em pedaços, o coloquem sobre a lenha, mas não acendam o fogo. Eu vou preparar o outro bezerro, o colocarei sobre a lenha e também não acenderei o fogo. Vocês invocarão o deus de vocês e eu invocarei a Deus. O Deus que responder, enviando fogo, é o Deus verdadeiro. Todo o povo concordou: A proposta é boa.”
“Então Elias disse aos profetas de Baal: Escolham um bezerro e preparem primeiro, pois vocês são maioria. Invoquem o nome do deus de vocês, mas não acendam o fogo. Então eles pegaram o bezerro, o prepararam e ficaram invocando a Baal, desde o amanhecer até o meio-dia, e suplicando: Baal, responde-nos. Mas não se ouvia nenhuma voz, nenhuma resposta, apesar de dançarem, dobrando o joelho ao redor do altar que tinham feito. Pelo meio-dia, Elias começou a zombar deles: Gritem mais alto; Baal é deus, mas pode ser que esteja ocupado. Quem sabe teve que se ausentar. Ou então, viajando. Talvez esteja dormindo e seja preciso acordá-lo. Então eles gritavam mais alto e, conforme o costume deles, fizeram talhos no próprio corpo com espadas e lanças, até escorrer sangue. Depois do meio-dia, entraram em transe até a hora da apresentação das ofertas. Mas não se ouvia nenhuma voz, nenhuma palavra, nenhuma resposta.”
Do alto das dunas daquela colina, agora parado olhando ao redor, Elias observava o deserto que dominava a imensidão, que chegava no horizonte, até onde a vista alcança; até lá muito longe, com o céu iluminado e limpo como todo firmamento no tempo de seca. Recordava! O pensamento intenso e forte, fixo naquele momento que nunca esqueceria, naquele momento luminoso do milagre onde seu Deus, o Deus de Abraão, mostraria ao povo Sua grandeza. Para todos aqueles que, tendo fé como ele, Elias, está este Deus sempre presente e não abandona nunca quando O chamam. Por isso Elias gostava de ser Seu servo, servo de um Senhor amantíssimo que não escraviza, mas que é a representação da liberdade interior e exterior. Por isso também, Elias gostava de recordar seus milagres, milagres cujas ações ele sabia que não eram dele, mas de seu Senhor, Aquele que habita dentro e fora de todo ser humano. E o pensamento de Elias volta ao passado ainda recente, sem querer esquecer a grandeza e a alegria daquele momento:

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“Então Elias disse a todo o povo: Venham aqui. Todos se aproximaram, e Elias reconstruiu o altar de Deus, que estava demolido. Pegou doze pedras, conforme o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus tinha dito: Você se chamará Israel. E com as pedras construiu um altar em honra de Deus. Fez em volta do altar um canal capaz de conter duas arrobas de sementes. Empilhou a lenha, cortou o bezerro em pedaços e o colocou sobre a lenha. Depois disse: Encham quatro baldes de água e derramem sobre a vítima e sobre a lenha. Eles assim fizeram. Então Elias disse: Façam tudo outra vez. E eles tornaram a fazer. Elias voltou a dizer: Façam isso pela terceira vez. Eles assim fizeram. A água escorreu ao redor do altar, e até o canal ficou cheio de água. 
Chegando a hora da oferta, o profeta Elias se aproximou e rezou: Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, todos saibam hoje que tu és Deus em Israel, que eu sou teu servo e que foi por tua ordem que eu fiz todas essas coisas. Responde-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és o Deus verdadeiro, e que és tu que convertes o coração deles. Então Deus mandou um raio que consumiu a vítima, a lenha, as pedras e as cinzas, e secou a água que estava no canal. O povo viu tudo isso e prostrou-se no chão, exclamando: O Senhor é o Deus verdadeiro! O Senhor é o Deus verdadeiro! Então Elias disse a eles: Agarrem os profetas de Baal. Não deixem escapar nenhum. E eles os agarraram. Elias fez os profetas de Baal descer até o riacho Quison, e aí os degolou.”
Novamente, Elias para de caminhar; relembra sua vida, sua história. Pensa no seu enorme zelo pelo amor e a justiça de seu Senhor, seu Deus, enquanto se pergunta se a matança por suas próprias mãos, se a degola dos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal não teria sido também uma vingança contra a rainha Jezabel e o rei Acab, adoradores de ídolos, do deus Baal. Mas de novo pensava que seu zelo, sua dedicação ardente, que às vezes chegava às raias do ciúme, não teria influenciado tal atitude. Entretanto, não remoia pensamentos odiosos; só sentia que, como ser humano e profeta de Israel, servo e filho fiel, deveria cumprir as ordens de seu Senhor, Deus, de acordo com a Sua lei. E jamais pensara conscientemente, moralmente, em ultrapassar esta lei que sempre procurara cumprir e também ensinar. Também achava que dentro dos limites humanos, onde a alma e a matéria se integram, tudo pode acontecer; só sua fé não podia falhar. E talvez por isso mesmo, pela fé, que é a certeza de realidades que não se podem ver, é que ele assim agia. Pensava, sem vacilar, que as ordens de seu Senhor estavam em primeiro lugar. Porque — continuava pensando — como poderia ele sem tal fé em seu amo, em seu Deus, fazer os milagres e as maravilhas que fazia? Como o milagre da chuva depois da seca de três anos! Recordava contente enquanto continuava sua caminhada pelo deserto de Damasco. Agora queria se lembrar somente da chuva... Daquela fantástica chuva!
“Elias disse a Acab: Vá comer e beber, pois já se ouve o barulho da chuva. Enquanto Acab foi comer e beber, Elias subiu ao topo do monte Carmelo e se encurvou até o chão, colocando o rosto entre os joelhos. Depois disse ao seu servo: Suba e olhe para o lado do mar. O servo subiu, olhou e disse: Não se vê nada. Elias disse: Volte até sete vezes. Na sétima o servo disse: Uma 

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nuvenzinha, do tamanho da mão de uma pessoa, vem subindo do mar. Então Elias mandou: Vá dizer a Acab que atrele os cavalos no carro e desça, para que a chuva não o detenha. Num instan-   te o céu ficou escuro, com nuvens trazidas pelo vento, e caiu uma chuva pesada. Acab subiu no seu carro e foi para Jezrael. Elias, com a força de Javé, amarrou o cinto e foi correndo na frente de Acab até a entrada de Jezrael.”
Elias olha o céu ainda limpo, azul, e sem parar, de novo agradece a Deus, seu Senhor. Deus nunca falhou em seus pedidos, sempre presente, onipresente. Aquela chuva, depois de três anos de seca, quando as nascentes haviam secado, os córregos e rios deixaram de correr, era uma grande benção. Só restara a desolação, toda a terra parecia que se tornaria também como aquele mesmo deserto por onde agora caminhava, o deserto de Damasco. Depois desta primeira chuva, tudo voltaria ao normal; as nascentes voltariam a brotar, os córregos, riachos e rios voltariam a correr como nas passadas águas, as outras estações chuvosas. As campinas de Israel voltariam a florir. Com certeza, só não mudaria o ódio do rei Acab e da rainha Jezabel por Elias. Principalmente depois que ele degolou os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal. Mas tudo estava escrito, seu passado e seu futuro, futuro que ele previa com tanta certeza quanto seu passado, com sua vidência de um santo profeta. A lei do seu Amo e Senhor não falha, Deus é o Senhor do céu e da terra. Toda maldade será condenada de acordo com seu peso, como todo bem será gratificado, conforme a lei universal do bem e do mal, da ação e reação ou da lei das compensações. Todos os segredos são revelados. Desde o começo do mundo foi assim; desde Abel e Caim. Ele, Elias, sabia tudo e esperava a justiça divina.
“Acabe contou a Jezabel o que Elias tinha feito e como tinha matado a fio de espada todos os profetas. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, com este recado: Que os deuses me castiguem se amanhã, a esta hora, eu não tiver feito com você o mesmo que você fez com os profetas. Elias ficou com medo, levantou-se e partiu para se salvar. Chegou a Bersabéia, em Judá, e aí deixou o seu servo. E continuou a caminhar mais um dia pelo deserto. Por fim, sentou-se  debaixo de uma árvore e desejou a morte, dizendo: Chega, Senhor! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor que meus pais.”
Fugia da ameaça de Jezabel e por isso agora estava aqui, na estrada do deserto de Damasco. Somente depois de dormir debaixo daquela árvore, ser alimentado pelo anjo e receber a sustentação necessária para caminhar quarenta dias e quarenta noites até o monte Horeb, a montanha de Deus, Elias teve paz. Ali, na gruta daquela montanha, passou uma noite à espera da mensagem de Deus, que lhe mandou de volta pelo mesmo caminho por onde fora, lhe dizendo:

“Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de Damasco.” Lhe mandou também unjir Hazael como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unjir também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.” 

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Por isso agora estava aqui, andando no mesmo caminho por onde veio, orando e meditando sobre sua sagrada missão. Elias pensa em sua sagrada missão de profeta, mas se recorda também da sua obrigação de um cidadão consciente que se preocupa com a proteção de seu povo,
política, espiritual e socialmente. A política do governo do rei Acab e da rainha Jezabel é injusta, corrupta, oprime a população, principalmente os pobres e humildes. Elias deve denunciar,  ser um verdadeiro profeta, mensageiro do Senhor, seu Deus. Sabe que por isso é perseguido. Não é perseguido somente por ser profeta e desmascarar os falsos deuses e aqueles que os servem. É perseguido também por desejar uma sociedade justa e fraterna para seu povo. Deve denunciar a opressão dos que estão desencaminhando seu povo: social, espiritual e culturalmente. Eles, os poderosos, oferecem muitos favores, como ouro, dinheiro e escravos para as elites e depois impõem falsos deuses e ídolos falsos para o povo adorar e mudar seus costumes e tradições dos antepassados de Abraão, de Isac e Jacó. Além de confuso, o povo não tem a oportunidade de escolha, entre o Deus que dá a vida, como o Senhor, ou os deuses que destroem as mentes dos israelitas. Além de Baal, outros deuses da região de Israel também enganaram o povo. No passado, sempre trazidos pelos estrangeiros ou nações que dominaram Israel e impuseram novas religiões e novos deuses, houve ameaças à palavra de Deus enviada pelos profetas. Alguns deuses primitivos e falsas religiões chegavam a exigir holocaustos dos filhos de Israel. Muitos israelitas eram enganados.
O grande sábio e profeta Elias não podia aceitar as injustiças calado nem a destruição cultural de Israel. Como profeta de Deus devia denunciar o que não é moral nem socialmente justo para seu povo. Além das injustiças que lesa o direito do próximo, principalmente dos pobres e humildes. Como a vinha de Nabot de Jezrael, que Acab queria para si e que por meios abomináveis a adquiriu, em conluio com a rainha e os poderosos da cidade, concidadãos de Nabot. Como ele não queria vender, o rei Acab fez cara feia, não dormia nem comia. Porque Nabot lhe disse:

“Deus me livre de entregar a você a herança de meus pais. A rainha Jezabel quis saber por que, ele respondeu: É que eu falei com Nabot de Jezrael e lhe propus que me vendesse a vinha dele, ou, se preferisse, que trocasse por uma outra, mas ele me disse: Não vou entregar a minha vinha a você. Então Jezabel disse ao  marido: Será que não é você que governa Israel? Levante-se, coma, e seu coração se alegre, pois eu entregarei a você a vinha de Nabot de Jezrael. Então Jezabel escreveu umas cartas em nome de Acab, selou-as com o selo do rei e as mandou aos anciãos e notáveis da cidade, concidadãos de Nabot. As cartas diziam: Proclamem um jejum e façam Nabot sentar-se nos primeiros lugares. Façam comparecer diante dele dois homens sem escrúpulo, para fazer a seguinte acusação: Você amaldiçoou a Deus e ao rei! Depois, levem Nabot para fora e o apedrejem até morrer. Os homens da cidade, anciãos e notáveis, concidadãos de Nabot, fizeram como Jezabel tinha mandado, conforme estava escrito nas cartas que haviam recebido: Proclamaram um jejum e colocaram Nabot nos primeiros lugares. Então chegaram os dois homens sem escrúpulo, que se sentaram diante de Nabot e testemunharam contra ele dizendo: Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei! Então o levaram para fora da cidade, o apedrejaram, e ele morreu. Depois, mandaram a notícia a Jezabel: Nabot foi apedrejado e está morto. Quando Jezabel soube que Nabot tinha sido apedrejado e morrera, disse a Acab: Levante-se e tome posse da vinha de Nabot de Jezrael, que não quis vender a vinha para você. Nabot não está mais vivo, ele morreu.  


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Quando Acab soube que Nabot estava morto, levantou-se para descer até a vinha de Nabot de Jezrael, a fim de tomar posse dela. Então Deus dirigiu a palavra a Elias, o tesbita: Levante-se e
desça ao encontro de Acab, rei de Israel, que está em Samaria. Ele está na vinha de Nabot, aonde
foi para tomar posse. Diga-lhe: Assim diz o Senhor: Você matou, e ainda por cima está roubando? Por isso, assim diz Deus: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o seu. Acab disse a Elias: Então, meu inimigo, você me surpreendeu? Elias respondeu: Sim, eu surpreendi você. Pois você se deixou subornar para fazer o que Deus reprova. Por isso, farei cair sobre você a desgraça. Vou deixá-lo sem descendência, vou exterminar todo israelita da sua família, escravo ou livre que urina na parede.  Farei com sua casa como fiz com a casa de Jeroboão, filho de Nabat, e com a casa de Baasa, filho de Aías, porque você provocou a minha ira e fez Israel pecar. Deus também pronunciou uma sentença contra Jezabel: Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael. A pessoa da família de Acab que morrer na cidade será devorada pelos cães, e quem morrer no campo será comido pelas aves do céu.”

Elias estava sempre atento às injustiças sociais. Sua consciência afiada, limpa, verdadeiramente espiritualizada, fazia dele um intermediário entre Deus, os opressores e suas vítimas. Mostrava aos carrascos da população, aos poderosos e corruptos suas ações abomináveis, e lhes falava da lei das compensações: Quem com ferro fere com ferro será ferido; quem faz o bem receberá o bem, é a lei da ação e reação que funciona na natureza e na vida de todo ser humano. Por isso, Elias insiste em levar ao rei Acab a mensagem de seu Deus, o Senhor, que o condenava pelo roubo da vinha de Nabot de Jezrael. O menor pedaço de terra em Israel era sinal de apego à pátria, à cultura e costumes do povo do lugar. Os ricos e poderosos extorquiam os pobres facilmente, fazendo deles as vítimas que não tinham a quem recorrer se não aos profetas que, como Elias, procuravam fazer cumprir a justiça moral, cultural e espiritual, a consciência justa que todo cidadão deveria ter. Elias tinha vidência e dons espirituais que o faziam não somente diferente; também possuía um poder e uma força moral de grande relevância, que levava respeito e quase medo aos governantes e poderosos. Sua intransigência em relação à corrupção, à injustiça, à opressão e à manipulação política e religiosa para com seu povo, o levava a enfrentar os mais graves perigos, embora tivesse como único instrumento de defesa sua coragem e a fé em seu Amo e Senhor, Deus.
  A fé em Deus era seus instrumentos, suas ferramentas, para viver aquela vida perigosa. Porque os verdadeiros profetas que não se rendiam ao poder de reis ou de poderosos. A pobreza, o desapego aos bens materiais, era a essência da instrução das coisas de Deus, cumpridas pelos profetas. O voto de pobreza assim, era parte da condição do servo para servir ao Deus verdadeiro, que levava esperança aos pobres e humildes. Ele, Elias, era naquele momento em todo o reino de Israel, o único profeta cuja palavra era ouvida, respeitada e temida; porque vinha do conhecimento da lei mosaica e da palavra do Senhor, o verdadeiro Deus. Palavra verdadeira, que transformava realidades invisíveis em visíveis, que curava doenças, que ressuscitava mortos, que também predizia secas, ou fartura e riqueza, como também a vida ou a morte.
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Enquanto caminhava e terminava sua travessia pelo deserto de Damasco, Elias lembrava novamente as palavras de Deus: “Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de Damasco. Unja Hazael como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unja também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar.”
 Talvez já soubesse como seriam seus últimos dias; que não tardariam a chegar. Com a entrega da responsabilidade de profeta a Eliseu, depois de lhe ensinar os caminhos e a sabedoria para servir a Deus, pouco mais restava de sua missão em Israel. Mas antes, Elias ainda veria a morte de Acab e profetizaria também a morte de Ocozias, o filho e herdeiro do trono de Israel. Foi assim:
  “Passaram-se três anos sem que houvesse guerra entre Aram e Israel. No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, foi visitar o rei de Israel (Acab). Este disse a seus próprios ministros: Vocês sabem que Ramot de Galaad nos pertence, e nós não fazemos nada para recuperá-la das mãos do rei de Aram. Então o rei de Israel disse a Josafá: Você quer vir comigo para guerrear contra Ramot de Galaad? Josafá respondeu ao rei de Israel: Você e eu, seu exército e o meu, sua cavalaria e a minha, somos todos um só. E acrescentou: Consulte antes o oráculo de Deus. O rei reuniu os profetas, cerca de quatrocentos homens, e lhes perguntou: Devo atacar Ramot de Galaad ou não? Eles responderam: Pode ir, porque Javé a entregará nas mãos do rei. Então Josafá perguntou: Por acaso não existe nenhum outro profeta de Deus, para que possamos consultá-lo? O rei de Israel respondeu a Josafá: Existe ainda um: é Miquéias, filho de Jemla, através do qual podemos consultar a Deus. Mas eu não gosto dele, porque nunca me profetiza coisas boas, mas só desgraças. Josafá disse: O rei não deve  falar assim! Então o rei de Israel chamou um funcionário e ordenou: Chame depressa Miquéias, filho de Jemla. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados em seus tronos com vestes reais, na praça junto à porta de Samaria, e todos os profetas profetizavam diante deles. Sedecias, filho de Canaana, fez para si chifres de ferro e disse: Assim diz o Senhor: Com isso, você ferirá os arameus até acabar com eles.  E todos os profetas faziam a mesma predição, dizendo: Ataque Ramot de Galaad. Você triunfará, porque Deus vai entregá-la nas mãos do rei.
Enquanto isso, o mensageiro que tinha ido chamar Miquéias disse ao profeta: Veja bem! Todos os profetas estão falando em favor do rei. Procure falar como eles e predizer o sucesso. Miquéias respondeu: Pela vida de Deus! Vou dizer o que O Senhor me mandar. Quando Miquéias se apresentou ao rei, este lhe perguntou: Miquéias, podemos atacar Ramot de Galaad, ou não? Miquéias respondeu: Pode ir. Você será bem sucedido. Javé vai entregá-la nas mãos do rei. Mas o rei lhe perguntou: Quantas vezes terei de pedir para você jurar que está falando somente a verdade em nome de Deus? Então Miquéias disse ao rei: Estou vendo Israel espalhado pelas montanhas, como ovelhas sem pastor. E Deus me disse: Eles não têm mais senhor. Que cada um volte em paz para casa. O rei de Israel comentou então com Josafá: Eu não disse a você? Ele nunca profetiza boa sorte, mas sempre desgraça. Miquéias replicou: Ouça a palavra de Deus. Eu vi Javé sentado em seu trono, e todo o exército do céu estava em pé, à direita e à esquerda de Deus. E

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Deus perguntou: Quem poderá enganar Acab, para que ele vá e morra em Ramot de Galaad? Uns diziam uma coisa, e outros diziam outra. Então um espírito se aproximou, ficou diante de Deus, e disse: Eu posso enganá-lo. Deus lhe perguntou: De que modo? Ele respondeu: Irei e me transformarei em oráculo falso na boca de todos os profetas. Deus lhe disse: Você conseguirá enganá-lo. Vá e faça isso. Como você pode ver, Deus colocou oráculos falsos na boca de todos esses profetas do rei, porque Deus decretou a ruína do rei.
Então Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias, deu-lhe um tapa e disse: Qual é o caminho por onde o espírito de  Deus saiu de mim para falar a você? Miquéias respondeu: Você o verá no dia em que tiver de andar de casa em casa para se esconder. Então o rei de Israel ordenou: Prenda Miquéias e o leve ao governador Amon e ao príncipe Joás. Você dirá a eles: Por ordem do rei, ponham esse homem na prisão e o tratem a pão e água, até que o rei volte vitorioso. Miquéias disse: Se você voltar vitorioso, Deus não falou por minha boca. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, marcharam contra Ramot de Galaad. O rei de Israel disse a Josafá: Vou me disfarçar antes de entrar em combate. Você, porém, vá com sua roupa. E o rei de Israel se disfarçou e foi para o combate. O rei de Aram tinha ordenado aos comandantes dos carros que não atacassem a ninguém nem pequeno nem grande, mas somente o rei de Israel. Quando os comandantes dos carros viram Josafá, comentaram: Esse é o rei de Israel. E se lançaram contra ele. Mas Josafá deu o grito de guerra e os comandantes dos carros viram que ele não era o rei de Israel, e pararam de persegui-lo. Um soldado atirou com o arco, ao acaso, e atingiu o rei de Israel numa brecha da couraça. O rei disse ao condutor de seu carro: Dê a volta e tire-me do campo de batalha, porque estou ferido. Mas, nesse dia, o combate se tornou mais violento, de modo que seguraram o rei de pé sobre seu carro, diante dos arameus. E ele morreu ao entardecer. O sangue de sua ferida escorria no fundo do carro. Ao pôr-do-sol, um grito correu pelo acampamento: Cada um volte para sua cidade e para sua terra! O rei está morto! E o levaram para Samaria, e aí o enterraram. Lavaram o carro na piscina de Samaria, os cães lamberam o sangue dele e as prostitutas aí se lavaram, como Deus havia anunciado. O resto da história de Acabe e do que ele fez, o palácio de marfim e as cidades que construiu, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel. Acab morreu, e seu filho Ocozias lhe sucedeu no trono.”
Muitos profetas de Israel também enganavam o povo, manipulando com informações ou mensagens políticas e religiosas claramente inverídicas, para agradar ao rei ou à elite poderosa. Freqüentavam as mesas e as festas nos ricos palácios e desta forma recebiam as benesses do poder terrenal. Foi assim que Miquéias, outro profeta, verdadeiro servo de Deus, por falar a verdade, foi preso e mantido a pão e água. Os outros, certamente comendo da mesa do rei e da rainha, não necessitavam temer o regime injusto que se praticava contra os pobres e humildes.  

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Porque somente aqueles espíritos corajosos tinham a força moral e a energia da fé em um Deus verdadeiro, para enfrentar as injustiças e falar a verdade que os poderosos necessitavam ouvir, mas que odiavam. Como profetas, servos de Deus, precisavam levar as mensagens de Deus repreendendo os faltosos, fossem reis, rainhas ou ricos poderosos; para eles não havia acepção de pessoas. Somente os profetas afeitos ao amor e à lei de Deus eram capazes de verdadeiramente invocá-Lo e receber suas palavras, suas graças e seus poderes.  
Com o reinado de Ocozias, filho de Acab, Elias conviveu pouco tempo, porque este rei governou apenas dois anos devido a um acidente. Mas Elias não deixou também de lhe levar a mensagem de Deus, mostrando-lhe o pecado de adorar deuses falsos e ter lhe perguntado se não existe Deus em Israel, para consultar Baal-Zebub, deus de Acaron.
Aconteceu que:

 “Depois da morte de Acab, Moab se revoltou contra Israel. Ocozias caiu da sacada de seu quarto, em Samaria, e ficou ferido. Então mandou mensageiros com o seguinte encargo: Consultem Baal-Zebub, deus de Acaron, para ver se vou sarar destas feridas. Mas o anjo de Deus disse a Elias, o tesbita: Levante-se e vá ao encontro dos mensageiros do rei de Samaria e diga-lhes: Por acaso não existe Deus em Israel, para vocês estarem consultando Baal-Zebub, deus de Acaron? Por isso, assim diz O Senhor: Você não se levantará da cama em que se deitou. Com certeza você vai morrer. E Elias foi embora. Os mensageiros voltaram, e o rei Ocozias perguntou-lhes: Por que vocês voltaram? Eles responderam: Um homem veio ao nosso encontro e nos mandou voltar ao rei que nos tinha enviado, para dizer a ele: Assim diz O Senhor: Por acaso não existe Deus em Israel, para que você mande consultar Baal-Zebub, deus de Acaron? Por isso você não se levantará da cama em que está deitado. Com certeza você vai morrer. Ocozias perguntou: Como era o homem que foi ao encontro de vocês e lhes disse essas coisas? Eles responderam: Ele estava vestido com roupas de pêlos e usava um cinto de couro. O rei disse: É Elias, o tesbita! Então mandou um oficial com cinquenta soldados buscar Elias. O oficial subiu à procura de Elias, o encontrou sentado no alto do monte e lhe disse: Homem de Deus, o rei manda você descer. Elias respondeu: Se eu sou homem de Deus, que um raio caia e queime você e seus cinquenta soldados. Então um raio caiu e queimou o oficial e os seus cinquenta soldados. O rei mandou de novo outro oficial com cinquenta soldados. O oficial subiu e disse a Elias: Homem de Deus, o rei mandou você descer imediatamente. Elias respondeu: Seu sou homem de Deus, que um raio caia e queime você e seus cinquenta soldados. Então um raio caiu e queimou o oficial e seus cinquenta soldados. O rei mandou, pela terceira vez, um oficial com cinquenta soldados. O oficial subiu, ajoelhou-se diante de Elias e suplicou: Homem de Deus, que a minha vida e a vida destes cinquenta soldados, seus servos, tenha algum valor para você. Caiu um raio e queimou dois oficiais, cada um com seus cinquenta soldados. Mas agora, que a minha vida tenha algum valor para você! O anjo de Deus disse a Elias: Desça com ele e não tenha medo. Elias se levantou, desceu com o oficial e foi falar com o rei. E lhe disse: Assim diz O Senhor: Uma vez que você enviou mensageiros para consultar Baal-Zebub, deus de Acaron, você não se levantará da cama em que está deitado. Com certeza você vai morrer. E o rei Ocozias morreu, conforme a palavra de Deus, 

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anunciada por Elias. E Ocozias não tinha filhos. Por isso, seu irmão Jorão subiu ao trono em seu lugar; e já fazia dois anos que Jorão, filho de Josafá, era rei de Judá. O resto da história de Ocozias, e do que ele fez, tudo está escrito nos Anais dos Reis de Israel.”

Elias, o tesbita, de Tesbi de Galaad, levava a mensagem de seu Senhor, Deus, aonde era preciso. Fosse rei, rainha, ou aos outros ricos e poderosos, Elias era o mensageiro que levava a palavra do Senhor com a severidade necessária, quando a injustiça e a maldade eram uma realidade. Ou levava o amor, a caridade, quando os humildes de coração mereciam. Como quando realizava os milagres rogando força e poder a Deus. Entre tantos milagres que realizou, um dos mais sublimes a glorificar a missão do profeta Elias, aconteceu na casa da viúva onde viveu em Sarepta, na região da Sidônia, na Fenícia, onde se escondeu de Jezabel e Acab. Foi durante a seca que durou três anos. Ali, junto com a mulher e seu filho, com a humildade e a pobreza reinantes naquele lar, Elias ficou até voltar à sua terra, para fazer chover e cumprir sua palavra, como disse ao rei Acab:

“Pela vida de Deus, O Senhor de Israel, a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não ser quando eu mandar.”

  Quando chegou à casa da viúva, tinha fome e sede. Foi enviado por Deus, que lhe disse quando se escondia do rei e da rainha, e vivia às margens do córrego Carit, a leste do Jordão:

“Levante-se, vá para Sarepta, que pertence à região da Sidônia, e fique morando aí. Porque eu ordenei a uma viúva que dê comida para você.”
“Elias se levantou e foi para Sarepta. Chegando à porta da cidade, encontrou uma viúva que estava recolhendo lenha. Elias a chamou e disse: Por favor! Traga-me um pouco de água no seu balde para eu beber. Quando a mulher já estava indo buscar água, Elias gritou para ela: Traga-me também um pedaço de pão. Ela respondeu: Pela vida do Senhor, seu Deus, não tenho nenhum pão feito; tenho apenas um pouco de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Estou ajuntando uns gravetos para preparar esse resto para mim e meu filho. Depois vamos comer e ficar esperando a morte. Mas Elias lhe disse: Não tenha medo! Vá e faça o que está dizendo. Mas primeiro prepare um pãozinho com o que você tem e traga para mim. Só depois você prepara um pão para você e seu filho. Pois assim diz O Senhor, Deus de Israel: A vasilha de farinha não ficará vazia e a jarra de azeite não se  esgotará, até o dia em que Javé mandar chuva sobre a terra. A mulher foi fazer o que Elias tinha mandado. E comeram, tanto ele como também ela e o filho, durante muito tempo. A vasilha de farinha não se esvaziou e a jarra de azeite não se esgotou, como Deus tinha anunciado por meio de Elias.”
Elias ali vivia no aconchego de uma casa humilde, bastante pobre, mas de moradores cheios de esperança e fé em um Deus bondoso, que não deixava os suprimentos alimentícios

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faltarem. A mulher, embora não fosse israelita, era de coração meigo e certamente merecedora das graças de Deus, por que foi Ele quem disse a Elias: “Levante-se, vá para Sarepta, que pertence à região de Sidônia, e fique morando aí. Porque eu ordenei a uma viúva que dê comida para você.”
Elias sabia que os caminhos do Senhor eram seguros, as suas dificuldades eram com os poderosos: a ganância dos ricos e as injustiças dos reis para com seu povo. Vivendo alí, em
terra estrangeira, naquela casa de gente humilde, Elias esperava o tempo de voltar pra casa, quando Deus mandasse. Enquanto esperava, zelava pela viúva e seu filho, ainda criança. Embora o chamasse homem de Deus e tivesse Elias como hóspede importante, ela queria saber a razão do sucedido em sua casa: com a chegada do profeta, seu filho vem a falecer. Será castigo do Senhor, o Deus do profeta? pensou a viúva desesperada. Será que você veio à minha casa para lembrar minhas culpas e provocar a morte do meu filho? perguntou ela a Elias.

“Elias respondeu: Dê-me o seu filho. Pegando o menino dos braços dela, Elias o levou até o quarto de cima, onde se achava hospedado e o deitou sobre a sua própria cama. Depois chamou a Javé, dizendo: Senhor, meu Deus, queres castigar até esta viúva que me hospeda, fazendo o filho dela morrer? Então Elias estendeu-se três vezes sobre o menino e invocou a Deus: Ó Senhor, meu Deus, faze que este menino ressuscite! O Senhor atendeu à súplica de Elias, e o menino ressuscitou, tornando a viver. Elias pegou o menino, o desceu do quarto de cima e o entregou à mãe dele, dizendo: Olhe, seu filho está vivo. A mulher respondeu a Elias: Agora sei que você é um homem de Deus, e que de fato anuncia a palavra do Senhor.”

  Elias era verdadeiramente servo fiel do Senhor, seu Deus. Os poderes, o amor e a energia com que Deus gratificava o profeta eram sublimes. A fé que Elias trazia em seu espírito era sua fortaleza, por que o profeta sabia que O Senhor nunca falha aos servos amados. E foi ali, na casa da viúva de Sarepta e seu filho, que Elias viveu até o dia em que Deus lhe chamou para cumprir a palavra que havia dito a Acab:

 “Pela vida de Javé, o Deus de Israel a quem sirvo: nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não ser quando eu mandar.”

Havia chegado o tempo, o momento certo. Haviam se passado três anos! A fome de seu povo devido à seca era grande e o profeta precisava voltar.
Como era viver em Sarepta, a cidade mais antiga do mundo, situada na Fenícia, o país onde cada cidade tinha um rei e era morada de muitos deuses? O povo adorava seus ídolos. O deus Baal era um deles, adorado também por Jezabel, a princesa fenícia que foi para Israel depois de desposar o rei Acab. Como Elias conciliava sua vida naquela cidade, naquele reino, e vivendo 

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com aquele povo de costumes diferentes? Afora as crenças, a Fenícia era o país mais evoluído daquele tempo, dominando a indústria, o comércio e a navegação mais moderna, que levava os produtos do reino para países distantes. Além das orações diárias, Elias somente esperava? O grande profeta de Israel era instruído, um sábio. E devia conhecer as excentricidades daquele povo e daqueles deuses para amar ainda mais ao Senhor, seu Deus. Por amor a Deus e ao povo, o seu povo, o povo de Abraão, Elias não gostava que os ídolos fossem adorados em Israel, para que ninguém se desviasse do caminho que o verdadeiro Deus, o Deus de Abraão, de Isac e Jacó, havia ensinado através dos profetas.
Quando falou com Elias naquele dia, no Horeb, a montanha de Deus, lhe disse O Senhor:

“Pegue o caminho de volta, em direção ao deserto de Damasco. Unja Hazael como rei de Aram, e Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel. Unja também Eliseu, filho de Safat, natural de Abel-Meúla, como profeta em seu lugar”.

E pensando em seu destino de profeta, Elias atravessa o deserto de Damasco e vai se encontrar com Eliseu.

“Elias partiu daí e encontrou Eliseu, filho de Safat, trabalhando com doze juntas de bois. Ele próprio dirigia a última junta. Elias passou perto de Eliseu e jogou o manto sobre ele. Eliseu deixou os bois, correu atrás de Elias, e disse: Deixe-me dizer adeus a meus pais. Depois eu seguirei você. Elias respondeu: Vá, mas volte logo. Quem o está impedindo de ir? Eliseu afastou-se de Elias, pegou a junta de bois e a ofereceu em sacrifício. Aproveitou a madeira do arado para cozinhar a carne, e distribuiu a carne para o seu pessoal comer. Depois levantou-se, seguiu Elias, e se colocou a seu serviço.”

    Ao jogar o manto sobre os ombros de Eliseu, Elias o escolhia como profeta para acompanhá-lo e depois substituí-lo, conforme as palavras do Senhor. Ao receber o manto sobre si, Eliseu entende imediatamente o significado simbólico desta atitude, e dispõe-se a se desfazer dos próprios bens. Se desfaz do trabalho e da família para seguir o grande profeta de Israel. Eliseu agora não será mais livre no mundo dos homens, mas adquirirá uma nova liberdade, a liberdade espiritual, seguindo os caminhos da vida de profeta como servo de Elias. E assim os dias passam. Elias parece confiar no seu novo discípulo, cuja dedicação e vontade de aprender supera todas as dificuldades. Eliseu parece saber desde o início da caminhada com o mestre, o que acontecerá num breve futuro. Não abandona nem por um momento a presença de Elias. Quando este lhe fala em ficar aqui ou acolá até voltar de alguma missão, porque Deus o envia a algum lugar, Eliseu sempre responde:
 “Pela vida de Deus e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você.”

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E iam juntos. Como um bom discípulo, Eliseu não queria deixar de aprender tudo sobre seu trabalho, sua nova missão. A presença do mestre, ele sabia, era por pouco tempo, e todas as oportunidades deveriam ser aproveitadas. Ele queria fazer muitas perguntas, enquanto não chega o momento da despedida de Elias do mundo terreno. Não estando presente, como poderia receber o que ele mais desejava na sua vida de profeta, que eram os poderosos dons de seu mestre? Se ele não for um bom discípulo, não se dedicar plenamente de corpo e alma a seu mestre e amo, não aprenderia os segredos e a sabedoria do grande místico que era Elias. Segredos

místicos ou sabedoria, Eliseu sabia, não se aprende somente com palavras, mas principalmente com
os ouvidos, com o olhar, com o coração e com atitudes. Quando o momento chegasse, pensava Eliseu, “vou ficar sozinho para receber as mensagens diretamente e servir a Deus, continuar a missão de Elias e levar a todos a sabedoria dos antigos profetas de Israel.”
O mundo girava e Eliseu servia a Elias em qualquer circunstância, sem nunca questionar as atitudes do mestre. Achava que ainda não era seu tempo de agir, somente de aprender.


   ELISEU DISCÍPULO DE ELIAS 





         A ATIVIDADE PROFÉTICA CONTINUA COM ELISEU






































Nem Eliseu nem seus irmãos profetas que esperavam a despedida terrenal do mestre Elias, imaginavam que tal momento fosse tão sublime, tão inusitado e imensurável. Talvez imaginassem que fosse uma morte como de qualquer outro ser humano e depois carregado pelos anjos que viriam do céu para levá-lo, enquanto do espaço infinito ouviriam sons de trombetas, anunciando a morte de um grande santo. Mas não foi assim, e o que todos fizeram foi aceitar a despedida de Elias no carro de fogo, puxado por cavalos de fogo. Aceitar também que outras vidas na terra continuavam, as vidas de cada um dos profetas que seguiam os preceitos de Elias, e que agora seguiriam a Eliseu.













  













“Quando Deus arrebatou Elias ao céu num redemoinho, aconteceu o seguinte: Elias e Eliseu partiram de Guilgal. Elias disse a Eliseu: “Fique aqui, porque Deus me mandou ir sozinho a Betel”. Eliseu respondeu: “Pela vida do Senhor e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você”. E desceram juntos a Betel. Os irmãos profetas que moravam em Betel foram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: “Você está sabendo que Deus hoje mesmo vai levar embora seu mestre, nos ares, por cima da sua cabeça?” Eliseu respondeu: “Claro que sei. Mas fiquem quietos”. Elias disse: “Eliseu, fique por aqui mesmo, porque Deus me manda ir sozinho a Jericó”. Mas Eliseu respondeu: “Pela vida de Deus e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você”. E foram para Jericó. Os irmãos profetas que moravam em Jericó se aproximaram de Eliseu, e lhe disseram: “Você está sabendo que Deus hoje mesmo vai levar embora seu mestre, nos ares, por cima da sua cabeça?” Eliseu respondeu: “Claro que sei. Mas fiquem quietos”.













Elias disse a Eliseu: “Fique por aqui mesmo, porque Deus me manda ir sozinho até o Jordão”. Mas Eliseu respondeu: 














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“Pela vida do senhor e pela sua vida, não deixarei de acompanhar você”. E eles foram juntos. Com eles foram cinqüenta irmãos profetas. Estes ficaram a certa distância, enquanto os dois pararam à margem do rio Jordão.Então Elias pegou o manto, o enrolou e bateu com ele na água. A água se dividiu em duas partes, de tal modo que os dois passaram o rio sem molhar os pés. Depois que passaram o rio, Elias disse a Eliseu: “Peça o que você quiser, antes que eu seja arrebatado da sua presença”. Eliseu pediu: “Deixe-me como herança dupla porção do seu espírito”. Elias disse: “Você está pedindo uma coisa difícil. Em todo caso, se você me enxergar quando eu for arrebatado da sua presença, isso que pede lhe será concedido; caso contrário, não será concedido”.
E, enquanto estavam andando e conversando, apareceu um carro de fogo com cavalos de fogo, que os separou um do outro. E Elias subiu ao céu no redemoinho. Eliseu olhava e gritava: “Meu pai! Meu pai!














Carro e cavalaria de Israel” Depois não o viu mais. Então Eliseu pegou sua própria túnica e a rasgou em duas partes. Pegou o manto de Elias, que havia caído, e voltou para a margem do Jordão. Segurando o manto de Elias, bateu com ele na água, dizendo: “Onde está o Senhor, o Deus de Elias?” Bateu na água que se dividiu em duas partes. E ele atravessou o rio. Ao vê-lo, os irmão profetas, que estavam a certa distância, comentaram: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu.” Então foram ao seu encontro, se prostraram diante dele, e disseram: “Aqui, entre seus servos você pode contar com cinqüenta homens valentes. Permita que eles saiam para procurar seu mestre. Talvez o espírito de Deus o tenha arrebatado e jogado sobre algum monte ou dentro de algum vale.” Eliseu respondeu: “Não mandem ninguém”. Eles porém, insistiam tanto, a ponto de aborrecê-lo. Por fim, ele disse: “ Então mandem”. Eles mandaram cinqüenta homens, que procuraram Elias durante três dias, mas não o encontraram. Voltaram para Eliseu, que tinha ficado em Jericó. Então Eliseu lhes disse: “Não falei para vocês não irem?”














Os habitantes de Jericó disseram a Eliseu: “A localização da cidade é boa, como o senhor pode ver, mas a água é ruim e faz as mulheres abortarem”. Eliseu pediu: “Tragam para mim um prato novo com sal”. Eles levaram o prato, e Eliseu foi até a fonte de água, jogou nela o sal, e disse: “Assim diz o Senhor: Eu faço esta água ficar boa, e ela não causará nem morte nem esterilidade”. E a água se tornou potável até o dia de hoje, como Eliseu tinha dito.





























Jorão, filho de Acab, subiu ao trono de Israel, em Samaria, no ano dezoito do reinado de Josafá, rei de Judá. Reinou doze anos. Fez o que Javé reprova, embora nem tanto como seu pai e sua mãe, pois derrubou a estela de Baal, que seu pai tinha erguido. Contudo, repetiu os pecados de Jeroboão, filho de Nabat, fez Israel cometer, e deles não se afastou. Mesa, rei de Moab, era criador de gado e pagava ao rei de Israel cem mil cordeiros e cem mil carneiros, juntamente com a lã. Quando Acab morreu, Mesa se revoltou contra Israel. Nesse tempo, o rei Jorão saiu de Samaria e passou revista a todo o Isael. Depois mandou dizer ao rei de Judá: “O rei de Moab se revoltou contra mim. Você quer ir comigo para lutar contra Moab?” O rei de Judá respondeu: “Sim. Você e eu, seu exército e o meu, sua cavalaria e a minha, somos todos um só.” E perguntou: “Que caminho seguiremos?” Jorão respondeu: “O caminho do deserto de Edom.”














Então os reis de Israel, Judá e Edom partiram. Depois de marchar sete dias, faltou água para o exército e os animais. Então o rei de Israel exclamou: “Ai de nós! Javé nos reuniu , os três reis, para nos entregar em poder de Moab.” O rei de Judá perguntou: “Não existe por aqui algum profeta para podermos consultar a Deus?” Um dos oficiais do rei de Israel respondeu: “Aqui há um certo  Eliseu, filho de Safat, que derramava água nas mãos de Elias”. Josafá comentou: “A palavra de Deus está com ele”. Então o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom foram ao encontro de Eliseu. Mas Eliseu disse ao rei de Israel: “Deixe-me 















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em paz. Vá consultar os profetas de seu pai e de sua mãe”. O rei de Israel replicou: “Olhe, Deus nos reuniu, os  três reis, para nos entregar em poder de Moab”. Eliseu então disse: “Pela vida de do Senhor e dos exércitos, a quem sirvo, se não fosse por consideração ao rei de Judá, eu nem olharia na sua cara. Apesar de tudo, me tragam aqui um tocador de lira”. Enquanto o músico tocava, a mão de Deus veio sobre Eliseu. E ele disse: ‘‘Assim diz o Senhor: ‘Cavem diversos fossos neste vale’, pois assim diz Ele: ‘Vocês não verão vento nem chuva, mas este vale ficará cheio de água e vocês poderão beber com seus exércitos e animais’. Como isso não bastasse, Deus entregará Moab nas mãos de vocês’. E vocês destruirão todas as cidades fortificadas, cortarão suas árvores frutíferas, fecharão todas as fontes e cobrirão de pedras todos os campos férteis’’.
De fato, na manhã seguinte, na hora da apresentação da oferta, veio água dos lados de Edom, e toda a região ficou alagada. Os moabitas ficaram sabendo que esses reis tinham chegado para os atacar. Então convocaram todos os que tinham idade para pegar em armas e tomaram posição na fronteira. De manhã, quando se levantaram e o sol brilhou sobre a água , os moabitas viram de longe a água, vermelha como sangue. Então disseram: “É sangue. Os reis lutaram entre si e se mataram. E agora, Moab, vamos















saquear”. Mas quando os moabitas chegaram ao acampamento israelita, os israelitas se levantaram e derrotaram os moabitas, que fugiram. Os israelitas entraram no território de Moab e o arrasaram: destruíram as cidades, e cada um atirou pedras nos melhores campos até os cobrir, fecharam todas as fontes e cortaram todas as árvores frutíferas. Sobrou apenas Quir-Hares, que foi cercada e atacada pelos atiradores de pedras. Quando o rei Moab percebeu que não conseguiria sustentar o combate, tomou consigo setecentos homens armados de espada, para abrir uma passagem e chegar até o rei de Aram. Mas não conseguiu. Pegou então, seu filho primogênito, que lhe sucederia no trono, e o ofereceu em holocausto sobre a muralha. Desencadeou-se então uma grande indignação contra os israelitas, que tiveram de se retirar e voltar para seu país.
















                            A Libertação dos Pobres

































A esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: “Meu marido, seu servo, morreu. E você sabe que seu servo temia a Deus. Mas um homem, a quem devíamos, veio para levar meus dois filhos como escravos”. Eliseu perguntou: —“ Que posso fazer por você? Diga-me o que você tem  em casa.” A mulher respondeu: —“Tudo que tenho em casa é uma vasilha de azeite”. Então Eliseu ordenou: —“Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande quantidade de vasilhas. Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá colocando à parte”. A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro. Quando as vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: “Traga mais uma”. E ele respondeu: “Acabou”. Então o azeite parou de correr. A mulher foi contar isso ao homem de Deus, e ele disse: “Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar para viver com seus filhos”.


















































                                   Portador da Vida

































Certo dia, Eliseu passou pela cidade de Sunam, onde morava uma mulher rica, que o convidou para uma refeição em sua casa. Depois disso, cada vez que passava por aí, Eliseu entrava para comer. A mulher disse ao marido: “Olhe, esse homem que está sempre em nossa casa é um santo homem de Deus. Vamos fazer para ele um quarto de tijolos no terraço, com cama, mesa, cadeira e lâmpada. Quando ele vier à nossa casa, poderá ficar aí”.
















  Um dia que Eliseu passou por Sunam, subiu para o quarto do terraço e se deitou. Ele disse a seu servo Giezi: “Chame a sunamita”. O servo a chamou, e ela se apresentou a Eliseu. E ele disse ao servo: “Diga a ela:

















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ela“Você se preocupou conosco. Que podemos fazer por você? Quer alguma recomendação para o rei ou para o chefe do exército?”A mulher respondeu: “Eu vivo no meio do meu povo”. Eliseu perguntou ao servo: “O que poderíamos fazer por ela?” Giezi respondeu: “Ela não tem filhos, e o marido já é idoso”. Eliseu disse: “Vá chamá-la”. O servo chamou a mulher e ela apareceu na porta. Eliseu disse: “Daqui a um ano, nesta mesma data, você terá um filho nos braços”. Ela, porém, respondeu: “Não, meu senhor, não engane sua serva”.
   A mulher, porém, ficou grávida e deu à luz um filho no ano seguinte, na mesma época que Eliseu havia predito. O menino cresceu. Certo dia, foi encontrar seu pai junto com os ceifadores, e lhe disse: “Estou com dor de cabeça”. O pai disse a um dos servos: “Leve o menino para junto da mãe”.  O servo pegou o menino e o levou para a mãe. O menino ficou no colo da mãe até o meio-dia, e depois morreu. A mãe subiu até o terraço, colocou o menino sobre a cama do homem de Deus, fechou a porta e saiu. Depois chamou o marido e lhe disse: “Mande-me um servo e uma jumenta. Vou correndo à casa do homem de Deus e volto logo”. O marido perguntou: “O que é que você vai fazer lá hoje? Não é nem lua nova nem sábado”. Mas ela respondeu: “Fique sossegado”. Ela mandou selar a jumenta, e disse ao servo: “Vá na minha frente, e pare somente quando eu lhe disser.” Então a mulher foi ao  encontro do homem de Deus no monte Carmelo. O homem de Deus viu a mulher de longe, e disse a seu servo Giezi: “A sunamita vem aí. Corra ao encontro dela e pergunte: “Você está bem? Seu marido vai bem? Seu filho está bem?”A mulher respondeu: “Estamos bem”. Quando chegou perto do homem de Deus, no alto da montanha, a mulher abraçou os pés dele. Giezi se aproximou para afastá-la, mas o homem de Deus lhe disse: “Deixe-a. Ela

















está com a alma amargurada. Deus me escondeu isso e nada me revelou”. Então a mulher perguntou: “Por acaso eu lhe pedi um filho? Eu lhe havia pedido que não me enganasse.” Eliseu ordenou a Giezi: “Apronte-se, pegue meu bastão e coloque-se a caminho. Se você encontrar alguém, não o cumprimente, e se alguém o cumprimentar, não responda. Coloque meu bastão sobre o rosto do menino”. Mas a mãe disse: “Pela vida do Senhor e pela sua vida, eu não o deixarei”. Então Eliseu se levantou e a seguiu. Giezi que fora na frente, tinha colocado o bastão sobre o rosto do menino, mas o menino não falou nem reagiu. Então o servo voltou ao encontro de Eliseu e informou: “O menino não despertou”.

















Eliseu entrou na casa e encontrou o menino morto, estendido sobre sua própria cama. Entrou, fechou a porta e rezou a Deus. Depois subiu na cama, deitou-se sobre o menino, colocou a boca sobre a dele, os olhos sobre os dele, as mãos sobre as dele, e estendeu-se sobre o menino. E o menino foi se aquecendo. Então Eliseu começou a andar pelo quarto, de cá para lá. Depois subiu de novo na cama e se estendeu sobre o menino. Fez isso sete vezes. Então o menino espirrou e abriu os olhos. Eliseu chamou Giezi e lhe disse: “Chame a sunamita”. Giezi a chamou. Quando ela chegou perto de Eliseu, este lhe disse: “Pegue seu filho”. A mulher entrou, jogou-se aos pés de Eliseu e prostrou-se no chão. Depois pegou o filho e saiu.



































O homem de Deus não somente profetizava, mas estava também atento às necessidades espirituais, sociais e materiais de seu povo; ora esclarecendo, às vezes denunciando as injustiças dos poderosos contra os humildes, ou fazendo milagres quando as situações o exigiam. A força espiritual dos grandes profetas como Eliseu era a maior riqueza.
Eles sabiam e valorizavam somente essas relações metafísicas que os uniam a Deus. Levavam vidas humildes, em geral sem maiores recursos que a alimentação necessária e um teto para se cobrir dos temporais. Seus poderes espirituais lhes forneciam a total integração entre o físico e o espiritual; e servir ao Senhor era a única vontade e razão de suas vidas no plano terrenal. Com certeza, quando Eliseu percebeu a necessidade imperiosa de salvar a vida do filho da sunamita, que ele mesmo havia pedido a Deus, não teve dúvidas. Deus estava sempre com Eliseu.



































“Quando Eliseu voltou para Guilgal, havia fome na região. Os irmãos profetas estavam sentados na sua frente. Então Eliseu disse ao seu servo: — “Ponha a panela grande no fogo, e prepare uma sopa para os 


















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irmãos profetas.” Um deles foi ao campo para apanhar verdura. Encontrou uvas bravas, apanhou-as e encheu o manto. Ao chegar, cortou-as em pedaços dentro da panela de sopa, sem saber que eram venenosas. E distribuíram a sopa para que os homens comessem. Logo que provaram a sopa, gritaram: — Homem de Deus, isso é veneno. Eliseu ordenou:  — Tragam farinha. Então pôs farinha na panela e disse: — Sirva as pessoas para que comam. E já não havia nada de ruim na panela.


















Para ser respeitado entre seu povo, um profeta fala mais pelos exemplos que por palavras; era assim que Eliseu gostava de se comportar, começando por repartir o pão para todos e levar harmonia, paz e espiri- tualidade à sua gente. Somente levando o exemplo e o amor ao próximo em primeiro lugar, pensava ele, poderia haver a integração necessária entre o humano e o espiritual, para estar mais perto do Senhor, seu Deus.


















“Um homem de Baal-Salisa levou, ao homem de Deus, pão da primeira colheita; levou vinte pães de cevada e trigo novo no bornal. Eliseu ordenou: “Distribua a essas pessoas para que comam”. Seu servo disse: “Como vou distribuir isso para cem pessoas”. Eliseu insistiu: “Distribua a essas pessoas, para que comam.  Porque assim diz o Senhor: Elas comerão e ainda sobrará”. Então o servo os distribuiu. Todos comeram e ainda sobrou, como Deus tinha dito.





































Entre tantos outros milagres como este da multiplicação dos pães de cevada, Eliseu vivia entre seu povo, entre os mais humildes. E não se cansava de ensinar as boas ações e o valor da vida espiritual que a fé em Deus poderia proporcionar a todos aqueles que verdadeiramente praticassem o amor e a partilha.


















  Era assim que vivia o santo e milagroso profeta Eliseu. Como quando seus irmãos profetas o chamaram para viver em uma comunidade maior e mais confortável. Foi quando Eliseu deu outra grande manifestação de amor, milagre e partilha entre os pobres.





































“Os irmãos profetas disseram a Eliseu: — Como o senhor pode perceber, o lugar onde estamos morando com o senhor é muito pequeno para nós. Vamos até o rio Jordão, e cada um de nós pegará um tronco para construir aí uma casa”. Eliseu disse: —“Podem ir”. Um deles pediu: “Por favor, venha com os seus servos”. Eliseu respondeu: “Eu vou”. E foi com eles. Chegando ao rio Jordão, começaram a cortar madeira.  Um dos irmãos estava cortando um tronco e o machado caiu na água. Então ele gritou: “Meu senhor, era um machado emprestado!” O homem de Deus perguntou: “Onde é que o machado caiu?” O irmão mostrou-lhe o lugar. Então Eliseu cortou um galho de árvore, jogou no lugar e o machado boiou. Eliseu disse: “Pegue o machado”. O homem estendeu a mão e pegou o machado.
























































O profeta na vida política de Israel





































O rei de Aram estava em guerra contra Israel. Numa reunião com seus oficiais, ele determinou: “Vamos fazer uma emboscada em tal lugar”.  Mas Eliseu mandou dizer ao rei de Israel: “Cuidado com o tal lugar, porque os arameus estão acampados aí”. O rei de Israel mandou seus homens para o lugar que Eliseu lhe havia indicado. Eliseu avisava, e o rei tomava precauções. E isso aconteceu várias vezes.  O rei de Aram ficou perplexo com isso, convocou seus oficiais e perguntou: “Digam-me: “Quem dos nossos está nos traindo junto ao rei de Israel?” Um dos oficiais respondeu: “Não é nenhum de nós, senhor meu rei.  É Eliseu, profeta de Israel, que revela ao rei de Israel até as palavras que o senhor diz no quarto de dormir.”


















Então o rei ordenou: “Vejam onde ele está, que eu o mandarei prender”. Então informaram: “Eliseu está em Datã”. O rei mandou para lá cavalaria, carros e poderosa tropa, que chegaram de noite e cercaram a cidade. No dia seguinte, Eliseu madrugou para sair, e viu que um exército estava cercando a cidade, com cavalos e carros. Seu servo lhe disse: “Meu senhor, o que vamos fazer?” Eliseu respondeu: “Não tenha medo. Os que estão conosco são mais numerosos que eles”. E Eliseu rezou: “Senhor, abre os olhos do 



















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meu servo, para que ele possa enxergar”. Deus abriu os olhos do servo, e ele viu a montanha cheia de cavalaria e carros de fogo em torno de Eliseu. Quando os arameus desceram contra ele, Eliseu pediu a Deus: “Atrapalha a vista desse pessoal”. E Deus atrapalhou a vista deles, conforme Eliseu havia pedido. Então Eliseu disse para eles: “Não é este o caminho, nem a cidade certa. Sigam-me, e eu os levarei ao homem que vocês estão procurando”. E os levou para Samaria. Quando entraram em Samaria, Eliseu pediu: “Senhor, abre os olhos deles, para que enxerguem bem”. Deus abriu os olhos deles, e eles começaram a enxergar: estavam no centro de Samaria! Ao vê-los, o rei de Israel perguntou: “Devo matá-los, meu pai?” Ele respondeu: “Não os mate. Será que você iria matar gente que você não aprisionou com sua espada e seu arco? Dê-lhes pão e água, para que comam e bebam, e depois voltem para o seu  senhor”. O rei lhes preparou um grande banquete. Eles comeram e beberam. Depois o rei os despediu, e eles voltaram para o seu senhor. E os bandos arameus não fizeram mais incursões no território israelita.

                       Memória e influência de Eliseu

Eliseu disse à mulher, cujo filho ele havia feito reviver: “Pode partir com sua família e vá morar onde você puder, no estrangeiro, porque Javé mandou a fome, que já está chegando ao país, e vai durar sete anos”. A mulher foi e fez o que o homem de Deus tinha mandado: partiu com sua família e morou sete anos no território dos filisteus. Passados sete anos, ela voltou da terra dos  filisteus, e foi reclamar junto

ao rei  sobre sua casa e seu terreno. O rei estava conversando com Giezi, servo do homem de Deus. Ele dizia: “Conte-me todas as grandes coisas que Eliseu fez”. Giezi estava contando ao rei a ressurreição
do menino morto, quando a mulher, cujo filho Eliseu havia ressuscitado, chegou para reclamar junto do rei sobre sua casa e seu terreno. Giezi disse: “Senhor meu rei, essa é a mulher e esse é o menino, que Eliseu ressuscitou”. O rei interrogou a mulher e ela contou o acontecido. Então o rei mandou que um funcionário a acompanhasse. E ordenou: “Seja restituído a essa mulher tudo o que lhe pertence e todos os rendimentos do terreno, desde o dia em que ela deixou o país até hoje”.

Eliseu foi o mais milagreiro dos profetas bíblicos e mesmo depois de morrer, continuou com sua força espiritual e santidade, a promover milagres. A Bíblia conta:

“Eliseu morreu e foi enterrado. Todos os anos, bandos moabitas faziam incursões no país. Certa vez, alguns homens que estavam enterrando um morto avistaram um desses bandos. Jogaram o corpo dentro do túmulo de Eliseu e foram embora. Aconteceu que o corpo, tocando os ossos de Eliseu, reviveu e se colocou de pé.”
 Mesmo morto, o santo profeta continuou fazendo milagres. Contudo, há quase três mil anos, desde os tempos de peregrinação pelas estradas de Israel para cumprir a missão de profetas, que Elias e Eliseu são admirados e suas histórias são lidas e ouvidas pelo povo de Israel. Depois se expandiu para o mundo inteiro, como hinos de fé, esperança e verdade.  Elias e Eliseu ficariam para sempre recordados como dois profetas milagreiros, porque a maioria somente profetizava. A fé em um Deus verdadeiro, o Deus de Abrão, Isac e Jacó, passou a inundar o coração de muitos povos; não somente dos israelitas. O povo judeu, o primeiro povo a ter uma religião monoteísta, de um pequeno país, perdido no oriente médio, conseguiu conservar sua fé religiosa, sua cultura, sua língua e suas tradições há milhares de anos, devido aos ensinamentos dos profetas, sobretudo destes dois grandes israelitas que foram Elias e Eliseu, dois santos profetas bíblicos.
Suas vidas dedicadas ao povo, mas primeiramente ao Senhor, Deus de Abraão, de Isac e Jacó, ultrapassaram a idade dos tempos. Com certeza, serão sempre recordados e suas santas vidas estarão nas orações e pedidos, não somente dos hebreus, mas também dos seguidores das milhares de religiões e seitas judaico-cristãs.

 







 


 



                                                             







 


                                        INTELIGÊNCIA 
                         VOCÊ TEM? OU NÃO TEM?
Muito se fala da inteligência de poucos e da burrice de muitos, mas o que ocorre é bem diferente do que todos pensamos até agora: a grande maioria temos uma inteligência média, muito parecida em termos gerais, com exceção dos gênios como Einstein, Leonardo Da Vinci, um Picasso, um Michelangelo e outros poucos. O que ocorre é a indolência para pensar que leva o indivíduo a levar uma vida medíocre em termos de realização. Muitos não têm vontade nem para estudar um mínimo que seja para melhorar sua sobrevivência mental e material, para sair assim de sua pobreza indigna.
O psicólogo americano Howard Gardner estudou a inteligência humana durante mais de vinte e cinco anos, escreveu mais de vinte livros e diz que a mente é composta de múltiplas capacidades independentes entre si. Numa entrevista especial à revista Veja nos fala que há cientificamente oito tipos inteligência: a lingüística, a lógica, a espacial, musical, corporal, naturalista(a habilidade de compreender os fenômenos naturais); intrapessoal(a capacidade de reconhecer os próprios defeitos e qualidades — e tomar decisões com base neles), a interpessoal(a capacidade de interpretar as intenções alheias e tomar decisões de liderança). Continua dizendo o psicólogo que uma pessoa pode ser muito inteligente para determinada tarefa, mas em outras pode ser uma verdadeira nulidade, um verdadeiro burro para usar a palavra certa.
Outros possuem uma mistura de diversos tipos de inteligência, o que torna bem mais complexa esta maneira de pensar onde achamos que há os muito burros e os poucos muito inteligentes. Alguns, disse Gardner, são brilhantes ao filosofar sobre as grandes questões do mundo moderno, mas não tem nenhum traquejo para executar um exercício físico de jardim-de-infância.
Quanto ao teste de Qi foi comprovado que se mede a rapidez de raciocínio, mas não a capacidade de resolução de problemas. Então o fato de alguém demorar mais para fazer uma conta, por exemplo, não comprova que seja menos inteligente. Mas por outro lado, disse o cientista da mente, “com esforço a inteligência humana pode ser bem melhorada”.  Mas poucos parecem se preocupar com isso, com o esforço, e assim na moleza, nossos estudantes ficam quase todos b... que parecem nem saber para que ou porque vão à escola; ou se pensam que sabem, parecem pensar que é somente para passear, ou brincar de pegar diploma.
Um conhecido professor e coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia, Dr. Antônio Dantas, ficou nervoso com o resultado dos seus alunos no Enade — Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes — e disse que a culpa é do baixo Qi dos baianos. (Saiu em todos os jornais e revistas, você viu? E o pior, todos lhe caíram em cima como se fosse uma mentira, né ?)  E completou falando que na Bahia eles tocam  bem o berimbau por que este instrumento tem uma corda só, e se tivesse mais, uma só a mais, não conseguiriam por serem muito entupidos. Achei correta a comparação do preocupado professor que devia estar desiludido com o nível de escolaridade de seus alunos, mas achei injusto. Injusto porque falou somente do Qi dos baianos. Afinal, se ele soubesse que de cada dez alunos dos estados mais ricos do Brasil — que também poderiam ser mais desenvolvidos educacionalmente — que saem da oitava série, somente um sabe ler e escrever de acordo com seus oito anos de estudos, ele talvez se conformasse. Ou também pode ser que é por isso mesmo, porque ele sabe, e não consegue aceitar tamanha burrice, perdão, tamanha preguiça mental da grande maioria dos brasileiros.
Mas para finalizar este assunto de inteligência e burrice — não estou preocupado em saber quem é burro ou inteligente, simplesmente gosto de ficar longe de quem tem a orelha da mente muito grande — o que parece real é que sem uma educação de qualidade e sem o hábito da boa leitura, não se pode desenvolver o intelecto. E assim o Brasil vai continuar ficando na traseira dos países mais desenvolvidos como sempre esteve. Porque desenvolvimento é: educação e cultura. O país mais rico do mundo em recursos naturais é um dos mais pobres em recursos mentais. Numa pesquisa de leitura entre sessenta e dois países feita por um organismo da ONU, nosso país ficou entre os três últimos, ao lado de países africanos.  Mas e daí? Estudar, ler bons livros e boas revistas para quê? Vamos ver o BBB?